Um estudo publicado pela prestigiosa revista Nature, desenvolvido pelo Instituto Pirenaico de Ecologia (IPE) do Conselho Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), confirmou que o aquecimento global intensifica a gravidade das secas a nível mundial.
A pesquisa, que contou com a colaboração de 57 instituições científicas, ratifica que embora a quantidade total de precipitação na região mediterrânea tenha se mantido estável nos últimos 150 anos, o aquecimento global intensificou a severidade das secas.
O impacto da evaporação atmosférica no agravamento da seca
O estudo revela que a demanda de evaporação atmosférica se tornou um fator crítico, potencializando os períodos de déficit hídrico.
Esse fenômeno ocorre quando a temperatura da atmosfera se eleva, impulsionada pela emissão de gases de efeito estufa, o que aumenta a evaporação da água e exacerba a seca em regiões afetadas pela falta de umidade.
De 1901 a 1981, as tendências de seca se mantiveram relativamente estáveis, mas a partir de 1981, o panorama mudou drasticamente.
- Nos últimos 42 anos, a gravidade da seca aumentou 40% a nível mundial, atribuído à evaporação atmosférica.
- Entre 2018 e 2022, as áreas afetadas pela seca se expandiram 74% em relação ao período de 1981-2017.
- O ano de 2022 foi recorde, com 30% da superfície terrestre sofrendo secas moderadas ou extremas, sendo 42% desse impacto consequência do aumento da evaporação.
Aumento de eventos climáticos extremos
Apesar de não terem sido detectadas mudanças significativas na quantidade de precipitação, o estudo destaca que a frequência e magnitude de chuvas torrenciais e inundações aumentaram.
O pesquisador Sergio Vicente-Serrano, especialista em secas e mudanças climáticas, explicou que embora ainda não seja observada uma diminuição clara na quantidade total de chuva, os modelos climáticos projetam que até o final do século XXI, essa redução poderia se concretizar.
Um desafio ambiental sem precedentes
A análise liderada pelo CSIC e publicada na Nature, evidencia o avanço da crise climática e a necessidade de adotar medidas urgentes para mitigar os efeitos do aquecimento global.
A intensificação da seca, impulsionada pelo aumento da evaporação atmosférica, é um fator-chave na transformação do clima mundial, e seu impacto continuará a se agravar se não forem implementadas políticas de adaptação e redução de emissões.



