Método inédito: empresas transformam cinzas humanas em recifes artificiais para regenerar o fundo do mar.

Numa proposta que redefine os rituais funerários, a startup britânica Resting Reef propõe transformar cinzas humanas em recifes artificiais, ancorados no fundo do mar para promover a biodiversidade e restauração de ecossistemas degradados.

A iniciativa utiliza aquamação, um método alternativo à cremação tradicional, que dissolve o corpo através de uma mistura de água e solução alcalina e depois mistura as cinzas resultantes com conchas de ostras trituradas e concreto ecológico.

O resultado é uma estrutura semelhante a recifes de ostras, que uma vez instalada a cerca de 10 metros de profundidade, oferece habitat à vida marinha, filtra a água, evita a erosão costeira e preserva a memória dos entes queridos.

Um projeto piloto com alto impacto na biodiversidade

O primeiro ensaio da Resting Reef foi realizado em Bali, Indonésia, e consistiu em integrar cinzas de animais de estimação nos recifes. Seu sucesso gerou tanta demanda que a empresa decidiu expandir o serviço para cinzas humanas. Atualmente, eles estão obtendo permissões para implantar essas estruturas no fundo marinho junto ao quebra-mar de Plymouth, na costa sul da Inglaterra.

O projeto piloto registrou a chegada de 84 espécies de peixes e uma diversidade marinha 14 vezes maior em comparação com áreas vizinhas degradadas, de acordo com dados de monitoramento ecológico.

Na Espanha, um precedente pioneiro: Valkyrias del Mar

Embora a proposta britânica tenha chamado a atenção internacional, na Espanha já existia uma iniciativa semelhante desde 2015, liderada pela andaluza María Dolores Velasco.

Ao buscar uma forma legal de cumprir o último desejo de seu pai — espalhar suas cinzas no mar —, Velasco obteve a primeira autorização oficial da Dirección General de la Marina Mercante para depositar legalmente urnas em águas abertas. Desde então, sua empresa realiza mais de 100 cerimônias por ano, a cerca de sete milhas náuticas da praia La Caleta (Cádiz).

Mais tarde, ela criou Valkyrias del Mar, um projeto no qual urnas biodegradáveis com cinzas são colocadas em estruturas de pedra especialmente projetadas para formar recifes artificiais. Essas peças são submersas no fundo do mar, onde atuam como refúgio e ponto de reprodução para várias espécies.

Uma nova visão da despedida: ecológica e significativa

Essas propostas representam uma convergência entre tecnologia ambiental, ritual funerário e restauração marinha.

Tanto Resting Reef quanto Valkyrias del Mar convidam a repensar o legado póstumo sob uma perspectiva regenerativa e simbólica, transformando a despedida em uma contribuição tangível para a saúde dos oceanos.

Além de honrar a memória, esses recifes melhoram a qualidade da água, protegem a costa e favorecem a recuperação de espécies-chave, em um contexto de crescente preocupação com a perda de ecossistemas marinhos.

Uma alternativa funerária com impacto ambiental positivo

A possibilidade de transformar os restos humanos em vida submarina abre novas perspectivas sobre como se despedir do mundo: em harmonia com a natureza, deixando uma marca que não polui, mas sim regenera.

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