A região asiática está enfrentando uma crise climática que está intimamente ligada à intensificação acelerada do aquecimento global, com um ritmo que dobra a média mundial, conforme o último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), publicado nesta segunda-feira.
O documento adverte que 2024 foi um ano recorde em muitos aspectos: a China quebrou recordes de temperatura média em pelo menos cinco meses, enquanto outros países enfrentaram secas severas, inundações históricas e ondas de calor prolongadas.
“O clima extremo já está cobrando um preço inaceitavelmente alto”, alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Uma região que está se aquecendo mais rápido que o planeta
O relatório atribui esse ritmo de aquecimento ao tamanho continental da Ásia e ao comportamento térmico de seus solos, que absorvem mais calor do que as massas oceânicas. Além disso, os oceanos Índico e Pacífico que cercam a região também registraram temperaturas superficiais recordes em 2024.
Como resultado, os cientistas documentaram:
- Derretimento acelerado de geleiras, especialmente no Cazaquistão.
- Aumento do nível do mar.
- Fenômenos extremos mais frequentes e intensos, como ondas de calor em terra e no mar.
Crise climática em duplo sentido: excesso e escassez de água
As consequências se manifestaram em extremos opostos:
- Na Índia, um deslizamento de terra causado por chuvas deixou mais de 350 mortos em Kerala.
- No Cazaquistão, as piores inundações em 70 anos foram causadas por chuvas incomuns combinadas com o degelo.
- Na China, uma seca de verão afetou 4,76 milhões de pessoas, prejudicando colheitas e agravando a insegurança hídrica.
Nepal: um modelo de alerta precoce em ação
O relatório destaca o caso do Nepal como um exemplo positivo. Entre 26 e 28 de setembro de 2024, o país enfrentou precipitações extremas que causaram 246 mortes e mais de 200 desaparecidos. No entanto, graças aos seus sistemas de alerta precoce e protocolos de evacuação, uma tragédia ainda maior foi evitada.
“É a primeira vez em 65 anos que as inundações são tão graves. Não houve vítimas graças às medidas de preparação e resgate”, afirmou Ramesh Karki, prefeito do município de Barahakshetra.
Além disso, um mecanismo nacional de financiamento de emergência rápido permitiu mobilizar ajuda humanitária e fundos de reconstrução de forma imediata.
Adaptar-se rapidamente para salvar vidas
O relatório reitera que reforçar os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais e avançar em alertas precoces eficazes serão cruciais para proteger vidas e meios de subsistência.
A colaboração entre governos, organizações internacionais e comunidades locais é apresentada como uma prioridade urgente diante de um cenário climático que não mostra sinais de desaceleração.
Foto de capa: EFE



