O zooplancton antártico: os guardiões invisíveis do clima global enfrentando ameaças diversas

Uma recente pesquisa revelou que o **zooplâncton do Oceano Austral**, especialmente os **copépodes**, realiza uma migração vertical sazonal que **transporta carbono para as profundezas marinhas**, contribuindo significativamente para **mitigar o aquecimento global**.

Este processo natural, pouco conhecido mas altamente eficaz, equivale a **capturar as emissões anuais de 55 milhões de veículos a diesel**, de acordo com cálculos baseados em dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

Uma bomba biológica que regula o CO₂ atmosférico

Cada primavera, milhões de zooplâncton se alimentam intensamente de **fitoplâncton superficial**, transformando o carbono capturado pela fotossíntese em **gordura corporal**. Em seguida, eles descem entre **500 metros e 2 quilômetros** de profundidade, onde **queimam lentamente essa gordura** durante o inverno.

Esse comportamento, conhecido como **bomba de migração vertical sazonal**, permite que o **dióxido de carbono** liberado permaneça **preso no oceano profundo** por longos períodos, evitando que retorne rapidamente à atmosfera.

Copépodes, krill e salpas: os protagonistas do sequestro marinho de carbono

Embora muitas vezes passem despercebidos em comparação com espécies emblemáticas como **baleias ou pinguins**, o **zooplâncton antártico** desempenha um papel essencial na **regulação do clima planetário**.

Os **copépodes**, parentes diminutos dos crustáceos, lideram esse processo, seguidos pelo **krill** e pelas **salpas**.

Krill. Foto: Wikipedia.
Krill. Foto: Wikipedia.

Em estudos microscópicos, observam-se depósitos de gordura em seus corpos, que funcionam como **baterias energéticas** durante sua hibernação nas profundezas.

O Oceano Austral: epicentro do resfriamento global

Os oceanos absorveram cerca de **90% do calor excedente** produzido pela queima de combustíveis fósseis. Deste total, o **Oceano Antártico** representa aproximadamente **40%**, e grande parte dessa capacidade se deve ao **ciclo migratório do zooplâncton**.

Esse achado obriga a **rever os modelos climáticos** e reconhecer o valor desses organismos na **dinâmica do carbono global**.

Ciência em condições extremas: redes, microscópios e luz vermelha

Durante uma recente expedição a bordo do navio polar **Sir David Attenborough**, cientistas do **British Antarctic Survey** e da **Universidade de Exeter** capturaram zooplâncton perto das ilhas **Orcadas do Sul** e **Geórgia do Sul**.

Para evitar alterar seu comportamento, trabalharam em **ambientes escuros com luz vermelha** e temperaturas de **3 a 4°C**, observando por horas os detalhes microscópicos de sua fisiologia.

Ameaças crescentes: pesca industrial e mudanças climáticas

O **aquecimento das águas**, a **alteração das camadas oceânicas** e a **pesca comercial de krill** representam **sérios riscos** para a estabilidade do zooplâncton antártico. Em 2020, foram capturadas cerca de **500.000 toneladas de krill**, uma prática legal mas questionada por organizações ambientais e documentários como *Oceano*, de **David Attenborough**.

Segundo o **Laboratório Marinho de Plymouth**, se essa **bomba biológica** desaparecesse, os níveis de **CO₂ atmosférico poderiam dobrar**, o que destaca a **urgência de proteger esses ecossistemas invisíveis**.

Um apelo para incorporar o zooplâncton nos modelos climáticos

Reconhecer seu papel é fundamental para projetar cenários futuros mais precisos.

Os pesquisadores insistem que os **novos dados sobre migração e sequestro de carbono** devem ser integrados aos **modelos de previsão climática**, para refletir com mais precisão o papel dos oceanos na **absorção de gases de efeito estufa**.

A pesquisa foi publicada na revista científica *Limnology and Oceanography*.

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