A mineração de lítio no Brasil, especificamente no Vale do Jequitinhonha, enfrenta uma paralisação judicial. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a suspensão de projetos em Araçuaí e municípios vizinhos.
Argumentou “falhas graves na consulta às comunidades locais” e danos ambientais. Assim, a medida coloca em centro do debate a viabilidade de uma mineração sustentável que respeite os direitos sociais e ambientais.
Falta de consulta prévia e impacto nas comunidades

A solicitação do Ministério Público, segundo informações da imprensa local, baseia-se na falta de consentimento livre, prévio e informado das comunidades afetadas, um requisito legal para projetos que impactam territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais.
Empresas como Atlas Lithium e Sigma Mineração avançaram em suas operações sem cumprir esse princípio fundamental.
O comunicado oficial do MPF cita relatórios que revelam danos tangíveis. Nas comunidades de Calhauzinho e Passagem da Goiaba, as obras viárias do projeto Neves (operado pela Atlas Lithium) afetaram as tubulações de água, impactando o fornecimento diário às famílias.
Por sua vez, o projeto Grota do Cirilo, da Sigma Lithium, também está sob escrutínio. Uma análise de seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de 2021 alertou sobre sérias deficiências na gestão da água.
Alertou que as duas minas a céu aberto poderiam alterar o curso do riacho Piauí, a principal fonte hídrica para os habitantes de Araçuaí e Itinga, especialmente em épocas de seca.
O dilema do desenvolvimento econômico e dos direitos ambientais
O Vale do Jequitinhonha, apesar de ser uma das regiões mais empobrecidas do Brasil, possui uma das reservas de lítio mais importantes. Trata-se do mineral considerado estratégico para a transição energética global.
Embora a promessa de investimentos milionários e a criação de empregos seja atraente, este caso reaviva o debate sobre se a atividade mineradora pode coexistir com os direitos das comunidades locais.
O Ministério Público deu um prazo de 20 dias para a Agência Nacional de Mineração (ANM) para cumprir a suspensão de licenças e a revisão de autorizações. A falta de resposta poderia levar a ações legais, marcando um precedente crucial para a indústria do lítio não apenas no Brasil, mas em toda a região latino-americana.

Nesse sentido, a decisão da ANM será crucial. A integração das comunidades na tomada de decisões não é apenas uma obrigação ética e legal, mas também uma estratégia para garantir a viabilidade a longo prazo desses projetos.



