No bairro de La Boca, vizinhos organizados lançaram uma campanha em Change.org intitulada “Salvemos el espacio verde y los ombúes en el Barrio de La Boca”.
A reivindicação busca preservar dois exemplares de ombúes e um terreno verde localizado na esquina de Irala y Pi y Margall, que faz parte do primeiro parque público de flora nativa da Cidade de Buenos Aires.
Segundo denunciam, o Instituto de Vivienda de la Ciudad (IVC) planeja construir no local um edifício em torre, o que colocaria em risco a paisagem e a biodiversidade do local.
Um pedido com fundamentos legais e ambientais
A solicitação se baseia no Artigo 26 e 27 da Constituição da Cidade, que garantem o direito a um ambiente saudável, a proteção do patrimônio natural e urbano, e o aumento de espaços públicos de acesso livre.
Também citam a Lei 2240, que declarou La Boca em Emergência Urbanística e Ambiental, e o Plano Urbano Ambiental, que promove a preservação de identidades de bairro e o uso racional do solo.
“Pedimos que a construção seja feita em imóveis ociosos do bairro e que o espaço verde seja preservado, em conformidade com a legislação em vigor”, destacam os vizinhos.
Espaço verde no bairro de La Boca[/caption>
História de uma luta comunitária pelo espaço público
A Comissão de vizinhos apresentou em 2000 o projeto para criar um parque público nos terrenos da Casa Amarilla, que incluía espaços esportivos e a Terminal Multimodal.
Após anos de negociações, conseguiram a rezonificação para Urbanização Parque (UP) e o design participativo da paisagem. No entanto, alguns lotes foram excluídos por omissões administrativas, gerando conflitos quanto à sua manutenção e uso.
Omissões, licitações e perda de acessos
Em 2004, durante a licitação do parque, terrenos como a parcela 18 foram omitidos, o que levou à perda do acesso principal pela Irala nº 200 e à redução dos espaços projetados, como o labirinto e um campo de futebol.
Além disso, foi construído um edifício de 9 andares na parcela 19, em detrimento da paisagem e sem respeitar a Lei 2240.
Denúncias formais e reclamações administrativas
Entre 2012 e 2014, foram apresentadas denúncias ao IVC, ao Chefe de Governo e ao Ministério do Meio Ambiente, por medições desproporcionadas e ocupação indevida do espaço público.
Em março de 2014, conseguiram interromper a tentativa de cercar parte do parque para serviços e estacionamentos, graças à rápida reação da comunidade.
Proposta de restituição e rezonificação como Urbanização Parque
A Comissão solicita que a parcela 18 seja incorporada fisicamente e legalmente ao Parque de Flora Nativa Benito Quinquela Martín, como parte de uma compensação ambiental pelos terrenos cedidos ao Club Boca Juniors e à Armada.
Essa ação permitiria restaurar o design original, fortalecer a identidade de bairro e garantir o direito ao espaço público em um bairro historicamente negligenciado.



