Alerta: a selva do Congo agora emite mais carbono do que absorve e é um risco, segundo um novo estudo científico

A floresta do Congo, considerada historicamente como um dos principais sumidouros de carbono do planeta, atravessa uma transformação alarmante.

De 2010 a 2017, este vasto ecossistema passou de absorver dióxido de carbono a se tornar uma fonte emissora, liberando mais CO₂ do que captura.

Esta mudança drástica representa um desafio monumental para os esforços globais contra a mudança climática.

A bacia do Congo, a segunda floresta tropical mais extensa do mundo, hoje perdeu sua função como barreira natural contra o aquecimento global.

Europa y organismos internacionales lanzan un fondo clave para rescatar la selva de la cuenca del Congo antes de 2030. Foto: Greenpeace España.
Europa e organismos internacionais lançam um fundo chave para resgatar a floresta da bacia do Congo antes de 2030. Foto: Greenpeace Espanha.

Alerta pela floresta do Congo, de sumidouro a fonte de emissões

As florestas africanas historicamente absorviam até 20% do CO₂ capturado pela vegetação mundial.

A floresta do Congo dominava como principal sumidouro, extraindo anualmente cerca de 600 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera.

No entanto, entre 2011 e 2017, estas florestas não só deixaram de ganhar biomassa, como começaram a perdê-la.

Registrou-se a perda de 106 milhões de toneladas de biomassa anuais, equivalente a cerca de 200 milhões de toneladas de CO₂ liberadas a cada ano.

O fenômeno foi documentado pela equipe liderada por Heiko Balzter da Universidade de Leicester, Reino Unido.

Balzter adverte que esta mudança “basicamente nos obriga a reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis ainda mais rápido para chegar a emissões próximas de zero”.

Desmatamento e mineração: os principais destruidores

As atividades humanas impulsionam esta metamorfose ambiental na floresta do Congo. Lá, dois fatores destacam-se como principais destruidores:

  • Mineração artesanal e industrial: extração de ouro e coltan, este último fundamental para dispositivos eletrônicos
  • Desmatamento ilegal de madeiras nobres: espécies como a teca africana e o pau de coral destinadas a mercados internacionais
  • Conflito e precariedade econômica: pequenos mineradores devastam as florestas para acessar recursos minerais
La selva del Congo, considerada históricamente como uno de los principales sumideros de carbono del planeta, atraviesa una transformación alarmante.
A floresta do Congo, considerada historicamente como um dos principais sumidouros de carbono do planeta, atravessa uma transformação alarmante.

Na República Democrática do Congo, amplas faixas são destruídas para dar lugar à extração de minerais chave.

A isso se soma a exploração ilegal de madeiras nobres, muitas vezes por empresas estrangeiras.

Esta dupla pressão se traduz em um desmatamento acelerado e na perda contínua de biomassa que impacta diretamente no balanço de carbono.

Balzter sustenta que “o desmatamento na floresta tropical do Congo” é o fator chave por trás da transformação do balanço de carbono nas florestas africanas.

Novas exigências para a luta climática

A perda das florestas como sumidouro de carbono impõe sérias exigências na luta mundial contra a mudança climática.

As mudanças no papel destas massas florestais reduzem de forma alarmante sua margem de manobra como aliados na mitigação.

Para caracterizar o estado das florestas africanas, os pesquisadores recorreram a tecnologias satelitais.

Balzter e seus colegas “estimaram a quantidade de biomassa mediante medições satelitais da cor e do conteúdo de umidade do dossel florestal, assim como de sua altura em certos pontos”.

Embora os dados sobre o terreno continuem sendo limitados em boa parte da África, estes métodos proporcionam uma aproximação útil.

O estudo reconhece que não incluiu elementos como as turfeiras úmidas, que retêm aproximadamente 30 bilhões de toneladas de carbono antigo sob a superfície da floresta do Congo.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Google e um projeto inovador: liberar milhões de mosquitos para proteger a saúde e reduzir doenças

Um ambicioso projeto científico impulsionado por uma empresa vinculada...

Espanha: 44% dos rios e zonas húmidas em risco ambiental, alerta SEO/BirdLife

Espanha enfrenta um desafio crucial para a recuperação de...

A Amazônia enfrenta uma ameaça crescente de incêndios enquanto aumenta a preocupação com o impacto de El Niño

A Amazônia brasileira volta a acender os alertas ambientais...