Em uma decisão histórica, um município do Peru concedeu direitos legais às abelhas sem ferrão.
Trata-se de Satipo, na região de Junín, a primeira no mundo a dar proteção jurídica a este inseto.
Este marco marca a primeira vez que um inseto obtém proteção jurídica no mundo.
A portaria municipal estabeleceu que estas abelhas têm direito a existir, prosperar e viver em um ambiente livre de contaminação.
O reconhecimento legal permite que as meliponas sejam representadas perante autoridades e tribunais em caso de ameaça.
As abelhas sem ferrão polinizam mais de 80% das plantas amazônicas.
Entre as culturas beneficiadas estão o cacau, o café e o abacate, fundamentais para a economia regional peruana.
Ameaças críticas à abelha sem ferrão na Amazônia
A desmatamento massivo no Peru representa um dos principais perigos.
Segundo o Projeto Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP), “em 2024, o desmatamento foi o quinto mais alto registrado (desde 2002), com mais de 1,7 milhões de hectares em toda a Amazônia”.
O Peru registrou 8,1% desse desmatamento total. Os pesticidas, a mudança climática e a invasão de abelhas africanizadas agravam a situação das meliponas.
Os incêndios florestais bateram recordes em 2024. “Este total bateu o recorde anterior de 1,7 milhões de hectares em 2016”, detalha MAAP, com 2,8 milhões de hectares afetados pelo fogo.

Ciência e comunidades indígenas
A cientista peruana Rosa Vásquez Espinoza, fundadora da Amazon Research International, impulsionou a iniciativa.
Seu trabalho documentou a importância cultural e espiritual dessas abelhas para os povos amazônicos.
As comunidades Asháninka e Kukama-Kukamiria consideram sagradas as meliponas.
“Para os povos Asháninka e Kukama-Kukamiria, essas abelhas não são um recurso. São parte do tecido cultural”, aponta o documento oficial.
O mel dessas abelhas contém compostos bioativos com propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e antioxidantes.
As comunidades indígenas a utilizam como remédio tradicional há séculos.
As características únicas das meliponas
As abelhas sem ferrão habitam a Amazônia peruana há milhares de anos.
Não possuem ferrão funcional, por isso se defendem através de mordidas e resinas pegajosas.
Seu papel na biodiversidade é crucial para o equilíbrio ecológico. As meliponas existiram no Peru muito antes da chegada do ser humano à região.
Organizações como Earth Law Center, Amazon Research Internacional, a Reserva Comunal Ashaninka e EcoAshaninka apoiaram o marco legal.
Os relatórios técnicos de especialistas ambientais fundamentaram a portaria.
Este precedente no Peru poderia inspirar iniciativas semelhantes globalmente.
O Equador reconheceu os direitos da natureza em 2008, seguido pela Bolívia e Nova Zelândia em anos posteriores.
A proteção legal no Peru não só resguarda uma espécie chave. Preserva conhecimento ancestral que, segundo os povos indígenas, representa “linguagem, história e formas de habitar a selva”.



