Em um mundo onde o desmatamento avança devido ao corte indiscriminado, à expansão agrícola e ao crescimento urbano, ainda existem histórias que seguem na direção contrária. Uma delas é a de Paulino Nájera Rivera e sua família, que decidiram enfrentar a perda das florestas com uma ação persistente: plantar mais de 37.000 árvores nativas no território indígena de Térraba, Costa Rica.
O que começou nos anos 2000 como um esforço comunitário transformou-se no Rincón Ecológico Cultural de Térraba, um espaço onde a terra ferida pelo corte começou a se curar. A iniciativa não foi um projeto milionário, mas uma decisão coletiva e constante de devolver vida a áreas degradadas.
Reflorestamento com árvores nativas
A estratégia da família Nájera Rivera não se limitou a plantar árvores, mas a recuperar um sistema natural completo. As espécies nativas desempenham um papel essencial: sustentam cadeias biológicas inteiras de insetos, aves, solos e umidade.
Ao contrário das plantações comerciais, onde predomina uma única espécie, aqui a diversidade é central. As milhares de variedades nativas representam diferentes ritmos de crescimento, resistências climáticas e funções dentro do ecossistema, permitindo que a floresta recupere sua estrutura natural.
Impactos visíveis
Com o passar do tempo, as mudanças tornaram-se evidentes:
- O solo recuperou umidade e novas camadas de vegetação começaram a crescer.
- A fauna retornou, reocupando espaços que haviam ficado vazios.
Este processo lento e silencioso demonstra que a natureza responde à constância humana. Cada árvore plantada é parte de uma rede viva que volta a se recompor.
Um modelo de vida comunitário
A decisão de plantar milhares de árvores não é apenas ambiental, mas também cultural e social. É uma forma de resistência frente à perda e um exemplo de que o dano pode ser revertido se houver continuidade e compromisso.
A família estendida de Nájera Rivera transformou o reflorestamento em um modelo de vida comunitário, onde a ação coletiva fortalece a identidade e o vínculo com a terra.

Costa Rica e sua liderança ambiental
O reflorestamento é fundamental para manter a liderança ambiental da Costa Rica, país que conseguiu reverter o desmatamento e hoje supera 50% de cobertura florestal.
Suas florestas capturam CO₂, protegem 5% da biodiversidade mundial, asseguram água, previnem a erosão e sustentam o ecoturismo, motor econômico fundamental.
Aspectos chave do reflorestamento na Costa Rica
- Mudança climática: as florestas reflorestadas capturam toneladas de carbono.
- Conservação da biodiversidade: projetos com espécies nativas restauram ecossistemas degradados.
- Proteção hídrica e de solos: as árvores asseguram bacias e previnem deslizamentos.
- Sustento do ecoturismo: milhões de visitantes dependem da saúde das florestas.
- Desenvolvimento social: promove educação ambiental e gera empregos locais.
Conquistas destacadas
- FONAFIFO: administra programas de reflorestamento e Pagamento por Serviços Ambientais.
- Espécies nativas: como guayaquil, ron ron e pochote, utilizadas para restaurar o equilíbrio.
- Sucesso histórico: a Costa Rica passou de uma alta taxa de desmatamento para recuperar mais da metade de seu território com florestas.
A história da família Nájera Rivera demonstra que o reflorestamento não precisa de grandes investimentos, mas sim de decisão e persistência. Com mais de 37.000 árvores plantadas, conseguiram reconstruir uma floresta inteira e contribuir para a resiliência ambiental da Costa Rica. Seu exemplo reforça a ideia de que a ação comunitária pode ser tão poderosa quanto as políticas nacionais na luta contra a mudança climática.



