Uma operação conjunta entre Buenos Aires e Santa Fé expôs a venda ilegal de animais por redes sociais

Uma extensa investigação desenvolvida durante quase dois anos permitiu desmantelar uma organização dedicada à captura e comercialização ilegal de fauna silvestre na Argentina. O caso voltou a evidenciar as ameaças que enfrenta a biodiversidade devido ao tráfico de animais, uma das atividades ilícitas que mais prejudica os ecossistemas naturais.

A investigação foi iniciada a partir de uma denúncia vinculada a possíveis infrações à Lei 22.421 de Conservação da Fauna Silvestre. A partir desse momento, efetivos do Esquadrão “Buenos Aires” realizaram tarefas de inteligência, ciberpatrulhamento e análise de comunicações para identificar os responsáveis.

Após um trabalho de 1 ano e 10 meses, os investigadores conseguiram reconstruir o funcionamento de uma rede integrada por quatro homens que participavam em diferentes etapas do circuito ilegal, desde a captura de exemplares até sua distribuição e venda por meio de redes sociais.

Uma operação conjunta entre Buenos Aires e Santa Fe expôs a venda ilegal de animais por redes sociais. Foto: Argentina.gob.
Uma operação conjunta entre Buenos Aires e Santa Fe expôs a venda ilegal de animais por redes sociais. Foto: Argentina.gob.

Uma organização com alcance nacional

As tarefas de acompanhamento permitiram determinar que um dos envolvidos publicava animais silvestres para sua comercialização e coordenava entregas em diferentes pontos do conurbano bonaerense, principalmente em Lomas de Zamora e Almirante Brown.

Posteriormente, as investigações identificaram outros integrantes que cumpriam funções específicas relacionadas com a caça, o armazenamento temporário, o transporte e a distribuição de exemplares para diferentes regiões do país por meio de encomendas.

Com as provas reunidas, a Fiscalía Federal N.º 1 de Lomas de Zamora ordenou buscas simultâneas em seis imóveis da província de Buenos Aires e dois localizados na cidade de Rosario, província de Santa Fe.

Resgate de animais e apreensão de elementos utilizados para a atividade ilegal

Durante os procedimentos foram resgatadas 88 aves pertencentes a diversas espécies, entre elas papagaios falantes, tordos, reina mora, pepiteros, corbatitas, cardeais, calafates, pintassilgos e celestinos.

Além disso, os agentes encontraram 20 peixes, 13 hamsters e quatro tartarugas. Também encontraram oito aves sem vida, entre elas pintassilgos e cardeais, além do crânio de um antílope.

Por outro lado, foram apreendidos 2 quilos e 633 gramas de cannabis sativa, um rifle calibre .22 longo, quatro armas de ar comprimido, munições de diferentes calibres, balins e nove armadilhas de madeira utilizadas para a captura de animais.

Como resultado da operação, duas pessoas foram detidas enquanto outras duas permanecem vinculadas ao processo judicial.

Uma operação conjunta entre Buenos Aires e Santa Fe expôs a venda ilegal de animais por redes sociais. Foto: Argentina.gob.
Uma operação conjunta entre Buenos Aires e Santa Fe expôs a venda ilegal de animais por redes sociais. Foto: Argentina.gob.

As penas previstas para o tráfico de fauna na Argentina

A Lei 22.421 estabelece sanções para aqueles que capturem, transportem, comercializem ou mantenham exemplares de fauna silvestre sem as autorizações correspondentes. Dependendo da gravidade dos fatos e das espécies envolvidas, as penas podem incluir multas econômicas, confisco dos animais e condenações de prisão.

Além disso, quando essas atividades se combinam com outros delitos, como posse ilegal de armas ou comércio clandestino, as consequências judiciais podem agravar-se significativamente.

As autoridades ambientais consideram que combater o tráfico de fauna é uma ferramenta chave para proteger a biodiversidade, já que essa atividade reduz populações silvestres, altera ecossistemas e coloca em risco espécies vulneráveis.

Recuperação e proteção da biodiversidade

Após as buscas, os exemplares resgatados ficaram sob a guarda de organismos especializados. Em Buenos Aires interveio a Brigada de Controle Ambiental da Subsecretaria de Ambiente da Nação, enquanto em Santa Fe colaborou a Direção Geral de Manejo Sustentável de Fauna do Ministério de Ambiente e Mudança Climática.

Os animais foram transferidos para centros de reabilitação onde receberão atenção veterinária, avaliação sanitária e processos de recuperação antes de uma eventual reintrodução ao seu ambiente natural.

Este tipo de operações é fundamental para frear o comércio ilegal de espécies e fortalecer a conservação da fauna nativa, um patrimônio natural indispensável para o equilíbrio ecológico e o funcionamento saudável dos ecossistemas argentinos.

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