China planta 66.000 bilhões de árvores com a Grande Muralha Verde, enquanto a África impulsiona seu próprio corredor contra a desertificação

A China tem levado adiante desde 1978 um plano de reflorestamento conhecido como a Grande Muralha Verde. O objetivo é frear a expansão dos desertos de Gobi e Taklamakan mediante a plantação massiva de árvores.

  • Já foram plantados 66 bilhões de exemplares.
  • Projeta-se somar outros 34 bilhões até meados deste século.

Este esforço transformou o país em um dos líderes mundiais em reflorestamento, com um impacto direto na captura de carbono e na recuperação de solos degradados.

Crescimento acelerado das florestas plantadas

Um estudo citado por Live Science revelou que as árvores dessas plantações crescem mais rápido que as das florestas naturais.

  • As florestas plantadas aumentaram sua superfície foliar 66% mais rápido.
  • Em condições comparáveis, cresceram quase 5% mais rápido que as naturais.

A explicação reside na gestão intensiva:

  • Uso de espécies de rápido crescimento como eucalipto e álamo.
  • Eliminação de vegetação concorrente.
  • Fertilização frequente.

Vantagens e limites

Segundo o ecólogo paisagista Yuhang Luo, as plantações florestais são eficazes para a absorção de carbono a curto prazo, mas sua vantagem é temporária. Para o armazenamento de carbono a longo prazo e a resiliência dos ecossistemas, as florestas naturais continuam sendo insubstituíveis.

Isso coloca um dilema: enquanto as plantações oferecem benefícios imediatos na luta contra a mudança climática, as florestas naturais garantem estabilidade ecológica e biodiversidade a longo prazo.

Grande Muralha Verde: 11 Países Africanos Contra o Deserto
Grande Muralha Verde: 11 Países Africanos Contra o Deserto.

A outra Grande Muralha Verde: África

Onze países africanos impulsionam um projeto similar: a Grande Muralha Verde do Saara e do Sahel. Seu objetivo é construir um corredor de 8.000 km desde o Senegal até o Djibuti.

Países participantes

Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Etiópia, Eritreia e Djibuti.

Impactos destacados

  • Proteção do solo e do clima: retenção de umidade e criação de microclimas.
  • Segurança alimentar: sistemas agroflorestais que combinam árvores e cultivos.
  • Impacto socioeconômico: geração de 10 milhões de empregos verdes, redução de migrações e conflitos.
  • Captura de carbono: milhões de toneladas absorvidas para mitigar a mudança climática.

Comparação entre projetos

  • China: aposta em monoculturas de espécies de rápido crescimento, com benefícios imediatos na captura de carbono, mas riscos de perda de biodiversidade.
  • África: busca integrar árvores e cultivos em sistemas agroflorestais, com um enfoque mais comunitário e sustentável.

Ambos os projetos mostram como o reflorestamento pode ser uma ferramenta poderosa contra a desertificação e a mudança climática, embora com enfoques distintos.

A Grande Muralha Verde da China e a do Saara-Sahel são exemplos de como a humanidade enfrenta a desertificação e a mudança climática com projetos de escala continental.

Embora as plantações ofereçam benefícios imediatos, os especialistas alertam que apenas as florestas naturais garantem a resiliência ecológica a longo prazo.

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