A agricultura mexicana está passando por uma grave crise hídrica, com o México sendo o segundo país com maior estresse hídrico na América Latina.
Segundo José Antonio Tiburcio, diretor de Inovação e Pequenos Agricultores da Bayer México, a escassez de água representa um desafio crucial para a segurança alimentar.
“Apenas em 2024, o México registrou seu ano mais seco, com 163 municípios em seca extrema e barragens a 54% de sua capacidade. Nessas condições, é difícil manter a produção de alimentos”, explicou.
IA e Big Data como aliados no campo
Diante desse cenário, a inteligência artificial (IA), o Big Data e o IoT (Internet das Coisas) se tornaram ferramentas essenciais para melhorar a eficiência agrícola.
Graças a essas tecnologias, foi possível alcançar uma redução no consumo de água de até 30%, especialmente em cultivos como milho, melancia e melão.
O uso de dados em tempo real e automação permitem:
- Otimizar a irrigação em cultivos com sistemas hídricos.
- Adaptar estratégias agrícolas à disponibilidade de água.
- Reduzir perdas por secas e melhorar a produtividade.
México diante do risco de seca extrema devido à crise hídrica
Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o México está entre os 30 países com maior risco de seca extrema em 2025.
Por isso, os agricultores começaram a incorporar métodos automatizados, uma vez que os sistemas tradicionais não são suficientes diante da escassez de água.
Menos água, maior produção
Em 2024, os agricultores plantaram 21 milhões de hectares no México, dos quais 14,5 milhões dependem de chuvas sazonais e apenas 6,5 milhões possuem sistemas de irrigação, de acordo com o Conselho Nacional Agropecuário.
As aplicações de IA desenvolvidas pela Bayer permitiram economias significativas no uso da água, sem afetar o rendimento das áreas cultivadas:
- Milho, melancia, melão, nozes e cítricos otimizaram seu consumo de água.
- Foram alcançadas melhorias na produção agrícola em comparação com métodos tradicionais.
- A economia de água acumulada atingiu 5,7 milhões de metros cúbicos por ciclo de cultivo.
Um futuro agrícola mais sustentável
Para Tiburcio, a adoção de novas tecnologias é essencial para tornar a agricultura mais eficiente e responsável com o meio ambiente.
“A agricultura do futuro deve inovar e aplicar a ciência em benefício dos agricultores e do planeta”, destacou o executivo da Bayer.
No entanto, no México, menos de 15% do campo implementou tecnologias digitais, principalmente devido a:
- Falta de capital.
- Baixa alfabetização digital.
- Escassos incentivos governamentais para a modernização do setor.
Um apelo à digitalização do campo
Para lidar com essa problemática, Tiburcio instou a uma colaboração entre empresas, governo e sociedade civil, com o objetivo de acelerar a transformação digital da agricultura.
“Se não digitalizarmos o campo, o México corre o risco de aumentar seu estresse hídrico e perder sua capacidade de produzir seus próprios alimentos”, alertou.
A tecnologia se apresenta como uma resposta fundamental para enfrentar a crise hídrica, e sua adoção pode definir o futuro da segurança alimentar no país.
Foto da capa: Luz Noticias



