A Patagônia se consolida como refúgio-chave para a baleia-sei: monitoram sua migração na costa de Chubut.

Entre Comodoro Rivadavia e Caleta Olivia, no litoral chubutense, concentra-se uma das maiores populações de baleias sei (Balaenoptera borealis) avistadas na Argentina.

Essa espécie, catalogada como ameaçada de extinção, é o terceiro maior rorqual do mundo, e frequenta uma faixa marinha de 35 km de largura que se estende desde Pico Salamanca até 50 km ao sul de Caleta Olivia. Dentro desta região, a Área Natural Protegida Punta Marqués destaca-se por seus altos registros de presença desses cetáceos.

Ciência aplicada à conservação da baleia sei

Com o objetivo de compreender os padrões migratórios e alimentares desta espécie ainda pouco estudada no país, uma equipe de pesquisadores liderada pelo biólogo Mariano Coscarella colocou dispositivos satelitais em seis baleias sei em águas próximas a Comodoro Rivadavia e Rada Tilly.

O projeto é realizado pela Universidad Nacional de la Patagonia San Juan Bosco (UNPSJB), em conjunto com o CONICET e os municípios, com o apoio do Ministério do Turismo de Chubut.

“Ao contrário da baleia-franca-austral, que migra para o sul para se reproduzir, a baleia sei poderia se deslocar para o norte, até mesmo para o sul do Brasil”, indicaram os cientistas, que buscam mapear com precisão rotas migratórias, áreas de alimentação e períodos de permanência em águas argentinas.

Rumo a um turismo de observação responsável

Um dos objetivos do estudo é também avançar no desenvolvimento de um turismo náutico controlado. A meta é que, até 2026, sejam oferecidos passeios de barco que respeitem o comportamento natural das baleias. Além disso, promover um ecoturismo regulamentado e com base científica.

Para isso, a equipe também analisa a resposta dos exemplares à aproximação das embarcações, informação crucial para a futura elaboração de protocolos para operadores turísticos.

Um símbolo de recuperação e valor ecológico

Com uma população global estimada em 50.000 indivíduos, a baleia sei mostra uma recuperação lenta, mas progressiva desde a proibição de sua caça comercial. Sua presença contínua na costa da Patagônia é considerada um indicador positivo de saúde ecológica.

A alta concentração de alimento — especialmente lagostas — torna esta área do mar argentino um enclave estratégico. Tanto para a conservação quanto para a pesquisa científica.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Como funciona o Projeto Huemul, pensado para impulsionar a restauração ecológica no Parque Nacional Lanín?

A recuperação do huemul na região cordilheira soma um...

Uma resolução controversa: Entre Ríos autoriza a caça comercial de 100 mil nutrias e cresce a polêmica ambiental

O Governo de Entre Ríos oficializou através da Resolução...

A Justiça confirma a transferência do chimpanzé Toti: do isolamento na Argentina à reabilitação no Reino Unido

A Justiça argentina confirmou a transferência do chimpanzé Toti...