A história dos capivaras em Nordelta ganhou nos últimos dias um episódio triste. Isso porque, a partir do grupo “A Voz das Capivaras“, formado por moradores do bairro, eles afirmam que nos últimos seis meses, 46 animais morreram.
Segundo denunciaram nas redes sociais, entre outras questões, devido a atropelamentos e novos avanços na construção em seu habitat. “Deveria causar vergonha“, expressaram.
“Vergonha”: denúncia de morte de capivaras e forte reclamação
“Dizer que 46 capivaras morreram em 6 meses deveria causar vergonha àqueles encarregados de protegê-los”, expuseram em uma publicação recente das redes do grupo.
“Evidentemente, não está sendo feito o suficiente ou, melhor dizendo, nada para evitar esse desastre. O último desmatamento os deixou literalmente sem lar e, como resposta imediata a isso, aparecem as mortes e o pedido de ‘transferência’ para poder continuar construindo tudo”, escreveram.
A publicação nas redes para reivindicar. (Foto: Instagram- @carpinchosnordelta.somossuvoz).[/caption>
“Uma sociedade evoluída cuida do ambiente, cuida do irrecuperável e busca o equilíbrio. Da VOZ DAS CAPIVARAS, queremos expressar nossa tristeza e preocupação porque nessa cifra não estão incluídos os filhotes afogados por não conseguirem sair das lagoas, os que morrem de forma duvidosa por ferimentos ou sei lá por quê”, questionaram no mesmo texto.
“CUIDAR DAS CAPIVARAS É CUIDAR DE NOSSA FAUNA, DE TODOS NÓS! Por isso, pedimos que se juntem a nós, assim seremos cada vez mais”, concluíram.
Capivaras em Nordelta: como começou a história
Vale lembrar que as capivaras estão em Nordelta porque é seu habitat natural. Foi construído sobre uma área de áreas úmidas do Delta do Paraná, que é o ecossistema próprio desses roedores.
Ao urbanizar a área, os espaços naturais foram fragmentados, o que forçou os animais a se deslocarem. A falta de predadores naturais no ambiente urbano de Nordelta, somada à abundância de água e pasto nos jardins, criou condições ideais para sua reprodução.
Por essa razão, a população de capivaras também aumentou consideravelmente e começou a interagir mais frequentemente com os habitantes.
O que acontece com as capivaras de Nordelta.
A presença desses animais expõe o conflito entre o avanço da urbanização e a conservação dos ecossistemas nativos.
Transferência, controle, polêmica e uma medida oficial que reabre o debate: a proposta mais recente
O futuro das capivaras de Nordelta volta a estar no centro das atenções. Após uma reunião entre o secretário de Turismo, Ambiente e Desportos da Nação e representantes da Associação de Moradores de Nordelta (AVN), decidiu-se avançar com um plano de transferência para uma ilha do Delta do Paraná.
A prova piloto envolverá a transferência de três famílias de capivaras, cerca de 70 indivíduos, para uma reserva de 60 hectares. Os custos da operação serão assumidos pela AVN, que justificou a medida apontando que apenas no primeiro semestre de 2025, 43 exemplares morreram atropelados.
Além disso, foi anunciada a implementação de um programa de controle populacional através de vacinas contraceptivas, que serão aplicadas com dardos e geridas com autorização do SENASA. Esta alternativa, menos invasiva que a captura, busca mitigar a reprodução descontrolada.
No entanto, organizações ambientalistas e defensoras dos direitos dos animais manifestaram seu desacordo com a vacinação e a transferência, alertando sobre suas possíveis consequências. A decisão expõe novamente a tensão entre o desenvolvimento urbano e a conservação da fauna silvestre.



