Na última sexta-feira, Cuba inaugurou um parque solar em Havana, o primeiro de um ambicioso projeto destinado a mitigar a grave crise elétrica que a ilha enfrenta através do uso de energia solar.
Segundo informações do Ministério de Energia e Minas, este projeto visa aliviar a tensão causada pela falta de eletricidade.
A fragilidade do sistema elétrico cubano
A fragilidade do sistema elétrico cubano, que depende em mais de 90% de energias não renováveis, tem deixado o país à beira do colapso nos últimos meses, com apagões significativos em toda a ilha, que tem uma população de 10 milhões de habitantes.
As oito usinas termoelétricas obsoletas do país, inauguradas principalmente nas décadas de 1980 e 1990, sofrem constantes falhas. Além disso, as plantas flutuantes alugadas para empresas da Turquia e os geradores que complementam o sistema energético nacional dependem do combustível que Cuba importa com grande dificuldade e frequentemente escasseia.
Plano de expansão de parques solares em Cuba
Diante dessa emergência, o governo cubano está trabalhando a todo vapor na instalação de pelo menos 55 parques solares de tecnologia chinesa até 2025, que gerarão 1.200 megawatts. Segundo as autoridades, isso permitirá alcançar 12% de geração de eletricidade por meio de energias renováveis.
O Ministério de Energia e Minas anunciou em sua conta no X que o “Parque Solar Fotovoltaico já está sincronizado” e que na próxima semana outro será adicionado. A presidência cubana também destacou em sua conta no X que o parque é “fruto da colaboração com a nação irmã da China”.
“É uma beleza. Nenhuma outra palavra serve para descrever o parque solar fotovoltaico”, celebrou a mensagem, acompanhada de imagens de fileiras de painéis solares reluzentes.
Impacto positivo para a população
Este parque, localizado no município de Cotorro, ao sul de Havana, é apenas uma amostra dos mais de 90 parques solares planejados em todo o país antes de 2030. Com capacidade de geração de 21,8 MW, este primeiro parque “permitirá diminuir de forma progressiva os incômodos apagões durante o horário diurno” nesta área populosa, conforme indicado no portal de notícias Cubadebate.
Cuba está enfrentando um início de ano complicado, com apagões quase diários na maioria dos bairros da capital, que tem 2,1 milhões de habitantes, enquanto em algumas províncias o acesso à eletricidade é limitado a algumas horas por dia.
Em fevereiro, as autoridades suspenderam as atividades laborais e educativas por dois dias para economizar energia, após um dia com um déficit elétrico de 57%, ou seja, 1.810 MW de déficit em relação a uma demanda de 3.200 MW. Nesta sexta-feira, a empresa Unión Eléctrica informou que o déficit seria de 48%.
Até 2030, Cuba planeja gerar mais de 2.000 MW com energia solar, o que permitirá que 37% de sua eletricidade provenha de fontes renováveis, marcando um marco importante na transformação do sistema energético da ilha.
Já conhece nosso canal do YouTube? Inscreva-se!