A ONU alerta sobre a crise climática e seu impacto nos povos indígenas.

Os povos indígenas estão na linha de frente das crises climáticas, da poluição e da perda de biodiversidade, apesar de não terem contribuído para sua geração e de terem feito esforços constantes para detê-las, afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, nesta segunda-feira.

O líder da ONU inaugurou a 24ª sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, o maior encontro internacional sobre os direitos dos povos originários, que este ano reúne mil representantes de diversas comunidades e se estenderá até o 2 de maio.

Desafios urgentes para os povos indígenas

O fórum, realizado na sede da ONU em Nova York, aborda as problemáticas mais prementes que afetam os povos indígenas.

Guterres destacou a marginalização, discriminação, pobreza e violência que essas comunidades sofrem, especialmente quando defendem o meio ambiente.

Segundo o funcionário, os indígenas continuam sendo desalojados e explorados ilegalmente, o que representa uma grave violação de seus direitos.

Além disso, são excluídos de decisões que afetam diretamente seus territórios, ameaçando sua segurança alimentar e formas de vida.

A exploração mineral e seus efeitos

O Secretário-Geral enfatizou a extração ilegal de minerais, que geralmente é realizada sem regulamentação e afeta severamente as populações indígenas.

“A corrida pelos minerais críticos para a transição energética global está aumentando, e muitos desses recursos estão localizados em territórios indígenas ou próximos a eles“, alertou Guterres.

À medida que a demanda aumenta, os povos indígenas sofrem desapropriação, marginalização na tomada de decisões, violações de seus direitos e riscos graves para sua saúde, enquanto são negados os benefícios que merecem.

O impacto da poluição proveniente da mineração

Um dos maiores riscos associados à mineração ilegal é a contaminação por mercúrio, que envenena os suprimentos de água e alimentos de diversas comunidades indígenas ao redor do mundo.

Guterres lembrou que a ONU reconhece e valoriza as contribuições indígenas nos acordos internacionais e destacou a participação desses povos no Painel da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética.

As recomendações do Painel são baseadas nos direitos humanos, com referência explícita à Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Quatro áreas de ação urgente

O fórum deste ano está focado na implementação da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas nos Estados-Membros.

Guterres instou a tomar medidas concretas em quatro áreas-chave:

  • Fortalecer o Fórum Permanente.
  • Reconhecer a liderança e os direitos indígenas em cada país.
  • Aumentar o financiamento para as comunidades indígenas.
  • Implementar plenamente as recomendações do Painel sobre Minerais Críticos.

O conhecimento indígena como modelo de sustentabilidade

O Secretário-Geral destacou que as práticas tradicionais dos povos indígenas são modelos de conservação e uso sustentável, em contraste com a exploração econômica de curto prazo.

Esses povos promoveram um equilíbrio com a natureza e priorizaram a saúde dos ecossistemas sobre os lucros imediatos.

“O mundo tem muito a aprender com a sabedoria indígena”, concluiu Guterres, destacando que suas abordagens podem reforçar a luta contra a mudança climática.

Foto da capa: L21

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