A União Europeia vai desdobrar neste verão uma frota de 22 aviões de combate a incêndios, 5 helicópteros e 777 bombeiros provenientes de 14 países, pré-posicionados em pontos estratégicos, incluindo dois aviões anfíbios na Espanha. A operação está enquadrada no Mecanismo de Proteção Civil da UE e busca responder a temporadas de incêndios cada vez mais longas e destrutivas.
A comissária de Gestão de Crises, Hadja Lahbib, sublinhou: “Cada minuto conta, estar preparado salva vidas, protege os meios de subsistência e preserva o nosso meio ambiente”.
Coordenação e vigilância
Durante toda a temporada de incêndios, o Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da UE estará operacional 24/7, com especialistas em alerta permanente. Além disso:
- O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais emitirá previsões contínuas.
- Os serviços de satélite da UE, incluindo o Copernicus, oferecerão mapas de emergência e análises geoespaciais para apoiar decisões no terreno.
Causas principais dos megaincêndios
- Mudança climática: a Europa aquece ao dobro da velocidade da média global, gerando condições extremas de calor e seca.
- Abandono rural: a despovoação e o declínio da agricultura tradicional acumulam combustível vegetal.
- Origem humana: 96% dos incêndios estão ligados a negligências ou provocados intencionalmente.
Impactos devastadores
- Destruição ambiental: perda de massa florestal e habitats críticos.
- Emissões de carbono: milhões de toneladas de CO₂ liberadas, agravando a mudança climática.
- Risco social: evacuações massivas e ameaça crescente sobre zonas urbanizadas.

O verão de 2025: recorde histórico
A temporada passada foi a pior registrada:
- 1.080.000 hectares queimados na UE (2.240.000 incluindo territórios circundantes).
- 30 mortos, centenas de feridos e mais de 100.000 evacuados.
- Espanha e Portugal foram os mais afetados, mas países como Alemanha, Eslováquia e Reino Unido também sofreram megaincêndios.
- Emissões recorde: mais de 38 milhões de toneladas de CO₂ na região mediterrânea.
Consequências estruturais
- Degradação do solo: erosão severa e perda de biodiversidade.
- Mudança de paradigma: os incêndios já não são fenômenos mediterrâneos exclusivos; afetam latitudes mais altas e requerem respostas além da extinção reativa.
Respostas e preparação
A UE reforçou sua estratégia com:
- Bombeiros pré-posicionados em países de alto risco como Espanha, Portugal, Grécia, Itália, França e Chipre.
- Reserva aérea rescEU com aviões e helicópteros centralizados para apoiar os Estados membros.
- Bases regionais preventivas, como a estação em Chipre, para atuar rapidamente em focos vulneráveis.
A crise de incêndios na Europa exige uma resposta integral e preventiva. O desdobramento da UE não busca apenas apagar fogos, mas antecipar-se a eles, proteger comunidades e preservar ecossistemas.
A preparação e a cooperação internacional consolidam-se como a única via para enfrentar temporadas cada vez mais longas e destrutivas.



