Entre os penhascos e praias que conectam as regiões de Valparaíso e Coquimbo no Chile, estende-se a Reserva Puquén, um espaço de 260 hectares que se consolidou como refúgio ecológico e cultural em um dos ecossistemas mais escassos e ameaçados do planeta: o clima mediterrâneo.
Este tipo de ambiente, presente em apenas cinco zonas do mundo, abriga uma flora e fauna endêmica de grande relevância para a conservação.
Ecosistema mediterrâneo: transição bioclimática e riqueza botânica
Invernos suaves, verões secos e uma vegetação adaptada a condições extremas.
O clima mediterrâneo é caracterizado por sua localização entre zonas desérticas e temperadas, com verões quentes e secos e invernos curtos com pouca chuva.
Essa combinação resulta em uma vegetação dominada por arbustos, herbáceas perenes e espécies esclerófilas.
Na primavera, os caminhos de Puquén se enchem de cor com espécies como a borboleta Los Molles (Alstroemeria pelegrina), o chagual (Puya venusta) e a flor do bigode (Bipinnula fimbriata).
Flora endêmica e genética de origem gondwânica
Cerca de 70% das espécies vegetais de Puquén são endêmicas, muitas em categoria de ameaça. Destaca-se o lúcumo silvestre (Gayella valparadisaea), uma árvore de origem gondwânica em perigo crítico de extinção.
Segundo a ONG Protege Los Molles, a reserva abriga a última floresta significativa desta espécie, o que torna o local um laboratório natural para estudos genéticos e evolutivos.
Fauna costeira e presença de grandes mamíferos
Cururo, yaca, degú e até pumas habitam este corredor biológico costeiro.
A reserva também protege espécies animais como o cururo (Spalacopus cyanus), a perdiz chilena, o yaca, o degú e a turca, além de registros recentes de pumas, o que reforça seu valor como santuário da vida selvagem na zona central do Chile.

Patrimônio arqueológico: vestígios de ocupação humana milenar
Vestígios desde tempos arcaicos até o contato com os espanhóis. Puquén não apenas conserva biodiversidade, mas também memória cultural.
Em suas colinas estão sítios arqueológicos de alta densidade, com evidências de ocupação contínua desde culturas arcaicas até as pré-colombianas e coloniais. Estes espaços permanecem fechados ao público para garantir sua proteção.
Geiser costeiro e rotas cênicas: atrações naturais para o visitante
O nome da reserva provém de um fenômeno geológico: uma cavidade rochosa que expulsa água sob pressão, semelhante a um gêiser marinho.
Além disso, os visitantes podem percorrer praias, colinas e mirantes como Isla La Lobera, Mirador Niño Pájaro, Cerro Orejas de Burro e Playa Mala Bajada, entre outros.
Comunidade e conservação: vínculo ativo com o território
A comunidade local considera Puquén parte de sua identidade e patrimônio, e participa ativamente em iniciativas de conservação, educação ambiental e restauração ecológica.
Esse vínculo fortalece a gestão participativa e garante a transmissão de valores ambientais para novas gerações.



