O renomado ator Leonardo DiCaprio acaba de comprar uma ilha no Chile, mas não pela razão que se poderia acreditar.
Trata-se da ilha de Guafo, que ele adquiriu através da fundação de conservação ambiental com a qual colabora ativamente, Re:Wild.
Esta é uma das joias ecológicas mais valiosas do Pacífico Sul e, agora, DiCaprio aposta em protegê-la
O objetivo principal é transformar Guafo em um parque nacional e protegê-la da exploração industrial.
A transação, estimada em 30 milhões de dólares, busca pôr fim a anos de ameaças mineradoras e madeireiras sobre este ecossistema remoto localizado ao sudoeste do arquipélago de Chiloé.
Um refúgio de biodiversidade no Pacífico
A ilha Guafo se estende por 197 quilômetros quadrados de florestas densas e penhascos íngremes.
É conhecida como “a pequena Galápagos chilena” por sua riqueza natural única.
Este território abriga a maior colônia reprodutora do mundo de pardelas sombrias.
Estas são aves marinhas interessantes que migram anualmente mais de 40.000 milhas entre hemisférios.
Também habitam aqui pinguins de Magalhães, lontras marinhas em perigo e colônias de leões-marinhos.
Além disso, as águas circundantes servem como corredor para baleias azuis e jubartes que migram da Antártida.
Hoje, a ilha permanece praticamente desabitada, com apenas quatro pessoas que operam um farol histórico construído em 1907.

A missão ambiental de Leonardo DiCaprio ao adquirir a ilha de Guafo
Leonardo DiCaprio comprou a ilha Guafo como parte de seu compromisso com a conservação global.
O ator fundou Re:wild junto a cientistas para proteger ecossistemas ameaçados em todo o planeta.
“A insubstituível Ilha Guafo agora está protegida da mineração de carvão, do corte de madeira e de outras indústrias destrutivas”, anunciou DiCaprio em suas redes sociais após a confirmação da operação.
A compra contou com o apoio da Fundação Wyss, WWF Chile e outras organizações internacionais.
Os escritórios jurídicos Akin e Carey assessoraram a transação de forma pro bono.
Re:wild agora trabalha com a corporação chilena Cultiva para doar a ilha ao Estado.
O objetivo é que seja declarada parque nacional sob legislação chilena.
Representantes de Re:wild e Cultiva se reuniram em maio com a ministra do Meio Ambiente, Maisa Rojas, para discutir os requisitos necessários para impulsionar este futuro parque.
A figura de parque nacional garantiria proteção legal permanente e permitiria programas de pesquisa científica.
Também facilitaria a educação ambiental em uma das zonas mais intocadas do Pacífico.

Tensões com comunidades indígenas
Pense nisso, a compra gerou controvérsia entre as comunidades huilliches de Quellón.
Esses povos originários denunciam não terem sido consultados durante o processo de aquisição.
“Passou de um particular para outro particular, não mudou nada que o compre esta ONG”, declarou Cristian Chiguay, lonko da comunidade de Yaldad.
E pediu: “O que pretendemos é ser incorporados ao plano de trabalho”.
As comunidades locais solicitaram em 2019 o reconhecimento de um Espaço Costeiro Marinho de Povos Originários (ECMPO).
Esta figura legal lhes permitiria administrar mais de 225.000 hectares de mar circundante.
A iniciativa, conhecida como “Wafo Wapi“, busca combinar extração sustentável de recursos com proteção do ecossistema.
Hoje, o trâmite ainda se encontra pendente perante as autoridades chilenas.
A ilha de Guafo: da ameaça mineradora à conservação
A história recente de Guafo foi marcada por projetos extrativos na ilha.
Em 2008, empresários compraram parte da ilha para explorar jazidas de carvão destinadas a termelétricas.
No entanto, a pressão de cientistas e comunidades, somada ao Plano de Descarbonização de 2019, conseguiu frear essas iniciativas.
Por isso, os proprietários colocaram a ilha à venda por 20 milhões de dólares naquele mesmo ano.
É nesse cenário que aparece Leonardo DiCaprio, que compra a ilha Guafo quando o risco de exploração industrial era iminente.
A aquisição por parte de Re:wild evita assim que o território caia nas mãos de indústrias destrutivas.
“A Ilha Guafo é crítica para a biodiversidade mundial e a saúde geral do nosso planeta”, afirmou DiCaprio ao explicar a importância deste projeto.
O caso representa um novo modelo de conservação baseado em cooperação entre organizações privadas, governos e comunidades locais.
Especialistas destacam que integrar o conhecimento ancestral dos povos originários será chave para o sucesso.
A transformação de Guafo em parque nacional poderia servir como exemplo replicável em outras regiões, onde ecossistemas estratégicos enfrentam ameaças.
Hoje, após a compra do ator, o próximo passo depende do Estado chileno.
Este deve formalizar a doação e garantir uma gestão inclusiva que respeite tanto a natureza quanto os direitos de quem tem protegido essas terras por gerações.



