A organização ambientalista Greenpeace soou o alarme diante da forte redução do orçamento destinado à Lei de Florestas para 2026. Segundo sua análise, a falta de financiamento e a dissolução dos fundos fiduciários encarregados de sua administração comprometem gravemente o controle do desmatamento ilegal e as políticas de conservação em todo o país.
O projeto de Orçamento Nacional 2026 destina apenas 3,5% dos recursos estabelecidos por lei para a proteção das florestas nativas. Isso, adverte Greenpeace, enfraquece a capacidade dos governos provinciais para controlar os desmatamentos, já que 30% desses fundos são usados para fortalecer as instituições e o restante para conservar ecossistemas ou promover atividades sustentáveis.
A situação se agrava pela dissolução do Fundo Fiduciário para a Proteção Ambiental das Florestas Nativas, ordenada em 2024. Esse instrumento garantia que o dinheiro arrecadado fosse utilizado exclusivamente em conservação. Agora, os recursos poderiam ser redirecionados para outros fins, deixando sem apoio econômico as ações de preservação.
A Argentina está entre os 15 países com maior desmatamento do mundo. De 1998 até 2023 perdeu cerca de 7 milhões de hectares de florestas nativas, e só em 2024 desapareceram 150.000 hectares mais, segundo o monitoramento por satélite do Greenpeace. Grande parte dessa perda ocorre no norte argentino, onde o avanço da fronteira agrícola continua sem controle efetivo.

A Lei de Florestas em perigo
A Lei de Orçamentos Mínimos de Proteção Ambiental das Florestas Nativas, aprovada em 2007, foi um marco na política ambiental argentina. Seu objetivo é deter os desmatamentos e promover um uso sustentável do território mediante a classificação das florestas segundo seu valor de conservação (alto, médio ou baixo).
Além disso, estabelece um Fundo Nacional para o Enriquecimento e a Conservação das Florestas Nativas, que deveria financiar projetos provinciais e compensar as comunidades locais por protegerem esses ecossistemas.
Por lei, esse fundo deve representar 0,3% do Orçamento Nacional mais 2% das retenções às exportações agropecuárias. No entanto, nunca se cumpriu com esse montante. Em 2026, o financiamento previsto é um dos mais baixos desde sua criação, o que ameaça paralisar os programas de conservação, restauração e monitoramento.
Greenpeace adverte que essa situação não apenas coloca em risco as florestas, mas também as comunidades que dependem delas para sua subsistência. As florestas nativas atuam como sumidouros de carbono, regulam a água, evitam a erosão e sustentam uma enorme biodiversidade. Sem fundos nem controle, aumentam os desmatamentos ilegais, os incêndios e a degradação do solo.

Um chamado urgente à ação
Para Greenpeace, o retrocesso na política florestal reflete uma falta de compromisso estatal frente à crise climática. A organização insiste que o país deve cumprir com os padrões internacionais de proteção ambiental e fortalecer o controle sobre as atividades que destroem os ecossistemas.
O enfraquecimento da Lei de Florestas, somado à escassez de brigadistas florestais e à dissolução dos fundos do Manejo do Fogo, antecipa um cenário preocupante: menos prevenção, menos fiscalização e mais impactos ambientais.
“Sem uma política florestal sólida, as florestas argentinas continuarão desaparecendo a um ritmo alarmante”, adverte a organização. Greenpeace reclama a restauração do Fundo Fiduciário, o cumprimento pleno do financiamento legal e uma estratégia nacional que priorize a conservação frente aos interesses econômicos de curto prazo.



