Na segunda-feira, 24 de fevereiro, o Banco Mundial reconheceu os direitos das comunidades indígenas no norte. Isso ocorreu ao suspender os estudos que Salta e Jujuy buscavam realizar no território de várias comunidades sem sua consulta ou consentimento prévio.
Especificamente, foi em direção às comunidades da bacia de Salinas Grandes e Laguna de Guayatayoc.
Direitos das comunidades indígenas e o reconhecimento do Banco Mundial
Essa decisão está relacionada à recente criação, pelos governos de ambos os distritos, da Comissão Interjurisdicional para a Gestão Integral Ambiental da Bacia de Salinas Grandes.
Seu objetivo é realizar estudos hidrogeológicos e determinar a linha de base ambiental dessa bacia hídrica para a exploração e exploração de lítio.
As províncias não consultaram nem convidaram as comunidades que habitam o território da bacia para participar.
Além disso, tentaram usá-la para considerar cumprido, em parte, um pedido feito pelas comunidades de Salinas Grandes e pela Fundação Ambiente y Recursos Naturales (FARN), que está em trâmite desde 2019 na Suprema Corte de Justiça da Nação.
Os governos das províncias citadas recorreram ao Banco Mundial para solicitar sua intervenção técnica. A entidade, após receber uma carta das comunidades, na qual manifestavam suas preocupações e alertavam sobre a situação de conflito, decidiu suspender os estudos.
Isso até que se respeitem os padrões internacionais de direitos indígenas. “Especialmente o direito à consulta prévia, livre e informada”, destaca a FARN.
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Avanço fundamental no reconhecimento de direitos
“Dessa forma, a entidade realiza um avanço crucial diante da vulneração sistemática dos direitos das comunidades da Bacia de Salinas Grandes e Laguna de Guayatayoc por parte do Estado e das empresas!”, enfatizaram.
Nesse sentido, detalharam que, entre as empresas estão Dajin, Tecpetrol, Pluspetrol e Pan American Energy.
“Que buscam a aprovação das operações em total contradição com a normativa internacional sobre direitos humanos. De fato, essas empresas se alian à estados provinciais para obter a aprovação de projetos com o aval de uma única comunidade, dividindo comunidades que compartilham um território e uma cultura e contradizendo o direito internacional”, destacam.
Com essa estratégia de divisão, “ignoram também a integralidade e visão biocêntrica da bacia hídrica, reconhecida pela Suprema Corte no caso”.
“O Banco Mundial ratifica o que a FARN e as comunidades indígenas vêm alertando: a produção de informações necessárias para tomar decisões sobre o uso de um território deve ser feita garantindo a participação e consulta“, afirmou a FARN.
Por outro lado, as informações devem fazer parte de uma discussão mais ampla sobre as prioridades do desenvolvimento das comunidades que ali habitam, e não estar apenas direcionadas a sustentar e promover uma atividade econômica.
Segundo insistiram, os processos destinados a conhecer integralmente (ambiental e culturalmente) um território deveriam estar centrados em discutir amplamente opções diversas.
“Nesse contexto, a preservação da vida, cultura e identidade das comunidades deve ser a condição essencial, e a exploração de lítio uma opção a mais”, entre muitas outras.
“Dada a importância da decisão do Banco Mundial, instamos as empresas mineradoras e os estados provinciais interessados na exploração de lítio do território de Salinas Grandes a adotar uma posição semelhante e apostar no cumprimento dos direitos das comunidades”, concluíram.
Fonte: FARN
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