Panamá deu início à primeira reunião regional de povos indígenas pela inclusão, biodiversidade e justiça ambiental

Desde esta segunda-feira passada, Panamá é sede da primeira sessão do Órgão Subsidiário sobre o Artigo 8(j) do Convênio sobre a Diversidade Biológica (CDB), um novo espaço permanente criado na COP16 para garantir a participação plena e efetiva dos povos indígenas e comunidades locais na proteção da biodiversidade.

Um passo decisivo para a inclusão na política ambiental global

Este órgão busca assegurar que os povos indígenas:

  •  Compartilhem os benefícios derivados do uso de seus conhecimentos tradicionais
  • Vejam respeitados, conservados e mantidos seus saberes ancestrais
  • Sejam reconhecidos como guardiões da biodiversidade e atores chave na sustentabilidade

“Temos muitas responsabilidades para converter esta decisão em resultados concretos”, expressou Astrid Schomaker, secretária executiva do CDB.

povos indígenas
A primeira sessão do Órgão Subsidiário sobre o Artigo 8(j) marca um marco na governança ambiental global.

Objetivos da primeira sessão: estrutura, integração e planejamento

A reunião, que se estende até o 30 de outubro, reúne representantes de 196 países, povos indígenas, organizações civis e especialistas ambientais. Entre os temas centrais:

  • Elaboração do modus operandi do novo órgão
  • Integração de conhecimentos tradicionais na revisão do Marco Mundial Kunming-Montreal
  • Estratégias para mobilizar recursos e meios de implementação para comunidades locais

Multilateralismo com povos: rumo a uma democracia ambiental efetiva

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia e presidente da COP16, Irene Vélez, instou os participantes a trabalharem para que este órgão seja um modelo de governança ambiental inclusiva.

“A COP17 pode levar esse grande passo na maneira de conceber o multilateralismo além dos Estados e com os povos”, afirmou Vélez.

Reconhecimento territorial e planejamento com enfoque ancestral

Durante a sessão também serão debatidas diretrizes sobre:

  • Reconhecimento e valorização de territórios indígenas e tradicionais
  • Restauração e conservação lideradas por comunidades locais
  • Incorporação de saberes ancestrais em planejamento espacial e avaliações de impacto ambiental

Panamá como epicentro da agenda global pela biodiversidade

Além do 8(j), Panamá acolhe desde o 20 de outubro a 27ª reunião do Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA-27), com o olhar voltado para a COP30 em Belém (Brasil) e a COP17 na Armênia (2026).

Saberes ancestrais: chave para enfrentar as crises ambientais

Este novo órgão reafirma que não há conservação efetiva sem os povos indígenas. Seus conhecimentos, práticas e vínculos espirituais com a Mãe Terra são fundamentais para construir um futuro justo, resiliente e sustentável.

“A diversidade cultural e biológica não podem ser separadas. Este órgão busca aplicar critérios de sustentabilidade sem deixar ninguém para trás”, concluiu Schomaker.

A instalação do Órgão Subsidiário sobre o Artigo 8(j) representa um avanço histórico na democratização da governança ambiental, reconhecendo que a proteção da biodiversidade requer soluções baseadas na natureza e na sabedoria de quem conviveu com ela durante milênios.

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