Suprema Corte do México reconhece o direito a um mandado de segurança ambiental para uma pessoa que vive perto de uma Reserva Ecológica

Em 24 de fevereiro de 2025, a Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) estabeleceu um precedente chave ao reconhecer que qualquer habitante ou usuário de um ecossistema pode promover um mandado de segurança ambiental para exigir sua proteção, mesmo sem demonstrar um dano individual direto.

A decisão beneficiou uma pessoa zapoteca que denunciou omissões de autoridades na proteção do Parque Nacional Benito Juárez, em Oaxaca, frente a ocupações e construções irregulares.

Alcances da resolução

O veredicto amplia a tutela sobre áreas naturais protegidas:

  • Interesse legítimo: não é mais necessário comprovar afetação pessoal direta para acessar a justiça ambiental.
  • Princípio da precaução: a ausência de certeza científica não justifica negar a proteção de um ecossistema.
  • Carga dinâmica da prova: obriga as autoridades a justificarem suas ações e os juízes a coletarem provas adicionais quando existirem indícios de dano ambiental.

A SCJN ordenou devolver o processo ao tribunal de origem para repor o procedimento e avaliar com maior profundidade as denúncias relacionadas com o Parque Nacional Benito Juárez.

Contexto do caso

O mandado de segurança sob revisão (processo 450/2025) deverá ser resolvido novamente conforme as diretrizes que reforçam a obrigação institucional de vigilância em zonas protegidas.

O veredicto fortalece o papel ativo das autoridades na tutela ambiental e abre a porta para que comunidades e cidadãos defendam judicialmente seus ecossistemas.

amparo ambiental
O veredicto da SCJN permite o mandado de segurança ambiental a qualquer habitante para proteger espaços naturais.

O Parque Nacional Benito Juárez

Criado em 1937, este parque de 2.591 hectares abriga ecossistemas de floresta tropical caducifólia, carvalho e pinheiro. Seus benefícios ambientais incluem:

  • Purificação do ar.
  • Regulação hidrológica e climática.
  • Amortecimento de eventos extremos.
  • Disponibilidade de água para grande parte da cidade de Oaxaca e municípios próximos.

A riqueza biológica é notável:

  • 230 espécies de aves residentes e migratórias.
  • 39 répteis, 18 anfíbios, 8 peixes e 67 mamíferos, todos dependentes deste ambiente.

Um veredicto com dimensão social

A resolução também reflete a importância da justiça ambiental como ferramenta de defesa comunitária. Ao reconhecer que qualquer habitante pode exigir a proteção de um ecossistema, a SCJN fortalece a participação cidadã e a conservação de áreas naturais estratégicas.

O veredicto da Suprema Corte marca um marco na jurisprudência ambiental mexicana, ao ampliar o acesso à justiça e reforçar o direito constitucional a um meio ambiente saudável.

A decisão não só protege o Parque Nacional Benito Juárez, mas também estabelece as bases para que comunidades em todo o país defendam seus recursos naturais frente a ameaças de urbanização, exploração ou abandono institucional.

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