Em Villa La Angostura, discute-se um certificado ambiental limpo para frear desenvolvimentos imobiliários de infratores.

A juíza de Falta de Villa La Angostura, Soledad Aldea, apresentou um projeto de ordenança para estabelecer um registro limpo ambiental e urbano. Esta medida busca evitar que pessoas jurídicas ou naturais – com antecedentes de infrações ambientais – tenham acesso a exceções urbanísticas.

A iniciativa, que busca promover uma responsabilidade ambiental a nível local, será debatida no Conselho Deliberante da cidade para avaliar sua implementação.

“Em última instância, trata-se de priorizar o respeito pelo entorno natural, garantindo que aqueles que intervêm no desenvolvimento urbanístico ou comercial o façam com antecedentes ambientais limpos”, afirmou Aldea ao NoticiasAmbientales.

Proposta de Registro Limpo Ambiental em Villa La Angostura para frear projetos imobiliários de infratores
O corte de espécies nativas é uma das principais afetações ambientais pelo desenvolvimento imobiliário em Villa La Angostura.

Um registro limpo ambiental necessário

A juíza mencionou que o projeto surge ao notar que em Villa La Angostura as exceções urbanísticas têm permitido projetos imobiliários que alteram a harmonia ambiental, o equilíbrio territorial e o planejamento urbano.

“O resultado foi um aumento nos conflitos socioambientais, a sobrecarga de serviços e, em algumas áreas, um enfraquecimento da confiança pública nas instituições encarregadas do controle”, afirmou a magistrada do Tribunal Municipal de Faltas.

Nesta localidade patagônica as multas não diminuíram as infrações ambientais. A juíza menciona que foi identificada uma prática estabelecida em vários projetos onde são cometidas infrações apesar das normativas.

“Certos desenvolvedores incorporam o custo das sanções como um componente adicional do orçamento da obra, priorizando a rentabilidade sobre o cumprimento da lei. Este tipo de comportamento afeta a eficácia da normativa ambiental”, disse Aldea.

O projeto de ordenança, que conta com o apoio da Direção de Meio Ambiente local, também busca modificar os cálculos das multas. Com base em critérios técnicos, como a extensão da área afetada e os custos de remediação, buscará que os valores guardem correspondência com a magnitude dos danos.

Diante do iminente debate no Conselho, a juíza considera que é necessário que os atores ligados ao desenvolvimento imobiliário também participem da discussão. “A ideia não é frear o desenvolvimento, mas encaminhá-lo sob parâmetros de sustentabilidade, equidade e legalidade. O registro limpo não sanciona, mas sim distingue e responsabiliza”, afirmou Aldea.

O projeto de Registro Limpo ambiental indica que qualquer solicitação de exceção urbanística deve ser acompanhada de certificados de livre infração ambiental. Estes devem ter sido emitidos pela Direção de Meio Ambiente, Direção de Obras Particulares ou o Tribunal de Faltas.

A aplicação de multas não diminuiu as infrações ambientais cometidas pelos projetos imobiliários em Villa La Angostura. Foto: LM Neuquén

Casos recentes de infrações

No início do mês, o Tribunal de Faltas, liderado por Soledad Aldea, impôs uma multa superior a 10 milhões de pesos aos responsáveis por diferentes infrações ambientais na faixa costeira do condomínio Cumelén.

Foi detectado o corte de árvores, movimentos de terra, abertura de caminhos veiculares e a construção de estruturas de contenção usando material do espaço costeiro. O lote afetado contava com uma exceção urbanística aprovada pelo Conselho Deliberante. Esta disposição permitia a edificação respeitando a preservação da floresta nativa.

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