O Governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira sua decisão de estender a proteção federal às oito espécies de pangolins conhecidas, em um esforço para combater o tráfico ilegal de fauna selvagem e conservar esses curiosos mamíferos de escamas que enfrentam uma grave ameaça de extinção.
Até agora, apenas o pangolim de Temminck, nativo da África, contava com proteção sob a Lei de Espécies Ameaçadas. A nova proposta, apresentada pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, busca incluir também as outras três espécies africanas (de ventre branco, ventre negro e gigante) e as quatro asiáticas: o pangolim chinês, indiano, de Sunda e filipino.
Mamíferos únicos e vulneráveis ao comércio ilegal
Os pangolins habitam em florestas, savanas e bosques da África e Ásia, são de hábitos noturnos e usam suas longas línguas pegajosas para se alimentar de insetos como formigas e cupins.
Cada fêmea tem apenas uma cria por ano, o que acentua sua vulnerabilidade à caça furtiva e à perda de habitat. Suas escamas de queratina, usadas na medicina tradicional, e sua carne considerada exótica, os tornam alvos constantes do comércio ilegal.
“Os pangolins estão à beira da extinção, e precisamos fechar todo mercado nos Estados Unidos que permita suas partes”, disse Sarah Uhlemann, do Centro para a Diversidade Biológica.
A CITES os protege, mas o tráfico continua
Embora os pangolins sejam protegidos pela Convenção CITES, que proíbe seu comércio internacional para fins comerciais, as apreensões continuam sendo alarmantes:
- Em abril, a Nigéria apreendeu quase quatro toneladas de escamas de pangolim, equivalentes a cerca de 2.000 animais.
- Em novembro, a Indonésia interceptou outras 1,2 toneladas.
A demanda nos Estados Unidos ainda é relevante. De acordo com dados oficiais, entre 2016 e 2020, foram interceptados 76 envios ilegais de partes de pangolim, incluindo escamas destinadas a produtos de medicina tradicional.
Um passo-chave para fechar as portas ao tráfico no ocidente
A inclusão de todas as espécies na lista federal de proteção busca reforçar as restrições comerciais, fortalecer a fiscalização de fronteiras e desencorajar o consumo de produtos derivados desses mamíferos.
Essa medida se junta aos esforços internacionais para erradicar o comércio ilegal de uma das espécies mais emblemáticas da crise de biodiversidade global.



