A crise hídrica em Mendoza já se consolida como uma das piores de sua história. Em meio a essa situação, o governo provincial autorizou a perfuração e exploração de cinco novos poços de água subterrânea, gerando fortes questionamentos.
Isso porque seriam para empresas ligadas ao empresário Eduardo Elsztain, um dos maiores latifundiários do país.
A decisão, publicada no Boletim Oficial, gerou controvérsias e reclamações em meio a um contexto de extrema escassez. Especialistas e organizações ambientais alertam para o esgotamento das reservas de água nas áreas agrícolas e urbanas do oeste argentino.
Autorização polêmica em plena crise hídrica em Mendoza
Os cinco poços aprovados estão localizados no departamento de San Rafael, dentro de uma área declarada em estado de emergência hídrica.
Apesar disso, o Departamento Geral de Irrigação de Mendoza autorizou a extração de água subterrânea com destino produtivo para os estabelecimentos do grupo agroindustrial.
A emergência pela falta de água.
O beneficiário é o empresário Eduardo Elsztain, presidente da IRSA e Cresud, empresas que concentram milhares de hectares na região. Segundo informações, a água extraída será utilizada para cultivos intensivos, em uma região onde muitos pequenos produtores enfrentam restrições severas para irrigar suas terras.
Preocupação ambiental pela superexploração do recurso
Organizações ambientais e especialistas em hidrologia alertam neste contexto sobre o desequilíbrio no uso da água, especialmente em regiões áridas como Mendoza.
Lá, a disponibilidade depende em grande medida do derretimento de geleiras e das precipitações andinas.
A extração de águas subterrâneas sem um controle adequado poderia aprofundar a desertificação e afetar o equilíbrio dos aquíferos. Uma vez que os poços se recarregam a um ritmo muito mais lento do que o recurso é extraído.
De setores críticos, denunciam que a medida favorece grandes grupos econômicos em detrimento do acesso equitativo à água por parte de comunidades rurais e pequenos produtores.
Água, produção e justiça ambiental: o debate sobre a mesa
A crise da água.
A aprovação desses novos poços volta a colocar em debate a gestão da água em regiões com escassez hídrica e a necessidade de implementar políticas que priorizem o uso sustentável, equitativo e transparente do recurso.
Enquanto as mudanças climáticas agravam a disponibilidade de água em todo o país, especialistas insistem na necessidade de fortalecer o planejamento ambiental, garantir o acesso justo ao recurso hídrico e promover práticas agrícolas adaptadas às novas condições climáticas.



