O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), a primeira instituição deste tipo na América Latina.
Com sede inicial em Brasília, a universidade representa um passo decisivo para a inclusão dos povos originários no ensino superior e a reparação histórica de seus direitos.
Durante o ato, Lula qualificou o dia como um “dia gratificante” e afirmou que o Brasil “não podia continuar vivendo com a segregação dos povos indígenas”. O mandatário defendeu o investimento em educação, sublinhando que “é mais barato investir em universidades do que pagar o custo social da exclusão”.
Características da Unind
A nova universidade se concentrará na formação de estudantes indígenas em áreas de graduação e pós-graduação, com um modelo educativo intercultural que combina saberes tradicionais e conhecimento acadêmico.
Entre seus principais pilares:
- Autonomia indígena: reitor e vice-reitor deverão ser docentes indígenas.
- Valorização de línguas e tradições: integração de cosmovisões e filosofias originárias.
- Produção científica em diálogo com práticas ancestrais.
- Sustentabilidade socioambiental como eixo transversal.
- Capacitação técnica para o desenvolvimento de territórios indígenas.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou que a Unind começará com 10 cursos, um corpo docente de 366 professores e uma matrícula inicial de 2.800 estudantes.

Construção coletiva
A criação da Unind foi fruto de um processo participativo que envolveu 236 povos indígenas em seminários realizados em todas as regiões do Brasil durante 2024.
A ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou que “gerações inteiras lutaram para ver este dia” e que a universidade colocará “o ser humano e a natureza no centro do saber”.
Expansão prevista
Embora a sede principal esteja em Brasília, a lei contempla a abertura de campi em outras cidades, especialmente na Amazônia, onde habita a maior parte dos povos originários. O início pleno das atividades está previsto para o próximo ano.
Impacto social e cultural
A Unind busca reverter séculos de exclusão acadêmica e abrir um espaço onde as ciências indígenas tenham o mesmo valor que as ocidentais. Além disso, espera-se que a universidade:
- Fortaleça a identidade cultural dos povos originários.
- Promova a convivência intercultural no ensino superior.
- Impulsione projetos de desenvolvimento sustentável em territórios indígenas.
- Gere oportunidades de trabalho para jovens indígenas em áreas estratégicas.
A sanção da lei que cria a Universidade Federal Indígena do Brasil marca um marco histórico no ensino superior latino-americano.
Com um modelo intercultural e participativo, a Unind não só ampliará o acesso à formação acadêmica, mas também contribuirá para a reparação histórica e o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.



