O tráfico ilegal de cães de raça da Bolívia para a Argentina tornou-se um problema crescente. Através de passagens de fronteira como Aguas Blancas, La Quiaca e Salvador Mazza, os contrabandistas transportam filhotes sem controle sanitário, cruzando até mesmo rios e rotas informais.
Este comércio clandestino evidencia a falta de controles de fronteira, facilitando a entrada no país de animais sem a devida supervisão. Os filhotes caem nas mãos de intermediários ou diretamente para compradores, sem vacinação ou certificação de origem.
Na Bolívia, esses cães são vendidos em feiras ou mercados por valores entre 200 e 300 dólares. Enclausurados em canis, são transportados em condições precárias, muitas vezes sem comida ou água e expostos a doenças.
O negócio ilegal não apenas afeta a economia formal do setor, mas também representa um grave risco sanitário para a população e para os próprios animais.

As graves consequências do tráfico de animais
O contrabando de animais de estimação não é apenas um crime econômico. Transportar animais sem controle implica expor toda uma região a doenças zoonóticas, como a raiva, que na Bolívia mantém um índice preocupante.
A entrada de cães sem vacinação ou controle veterinário aumenta o risco de surtos, com consequências para a saúde pública. Em um contexto de fronteira aberta, o perigo é amplificado, afetando comunidades próximas e facilitando a propagação de doenças.
Além disso, as condições de transporte são deploráveis. Os filhotes viajam amontoados, sem ventilação e são tratados como mercadorias. Isso causa estresse, desnutrição, doenças e, em muitos casos, a morte antes de chegarem ao destino.
O tráfico de cães também estimula a demanda por animais de raça sem considerar a adoção responsável, alimentando o comércio clandestino e perpetuando os maus-tratos.

O desafio de frear essa prática ilegal
O controle efetivo das fronteiras deve ser prioridade para evitar que esse mercado ilegal continue crescendo. É fundamental a ação conjunta da Gendarmería, organismos sanitários e autoridades provinciais para reforçar a fiscalização e o acompanhamento dos casos detectados.
A educação e a conscientização sobre a posse responsável são ferramentas essenciais para desencorajar a compra de animais de procedência duvidosa. Aqueles que adquirem cães sem conhecer sua origem contribuem, mesmo sem intenção, para o ciclo do tráfico ilegal.
O combate a essa atividade ilícita também requer o comprometimento de veterinários e criadores, que devem se recusar a apoiar práticas fora da lei. Somente assim será possível proteger a saúde pública, o bem-estar animal e promover um mercado legal, ético e controlado.



