A visão de um “distrito verde”: transformando o aterro sanitário de Santa Fe em um Parque Ambiental Produtivo

Transformar em um “distrito verde” a cidade de Santa Fe encontra-se em um ponto de inflexão crucial em sua gestão de resíduos, com a iminente “data de vencimento” do atual aterro sanitário.

No entanto, esta realidade, longe de ser um problema, se apresenta como uma oportunidade sem precedentes para a transformação urbana e ambiental, dando lugar à ambiciosa proposta de um “Distrito Verde: Parque Ambiental Produtivo”.

Esta iniciativa busca substituir o obsoleto modelo atual por um espaço de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, impulsionado por uma sólida articulação público-privada e o fortalecimento da economia circular.

Um diagnóstico urgente: a contagem regressiva do aterro sanitário

O aterrro sanitário de Santa Fe, que recebe diariamente uma média de 14 mil toneladas de lixo, enfrenta uma realidade preocupante: estima-se que sua vida útil se esgotará em apenas 6 ou 7 anos.

O mais alarmante é que, desse volume colossal de resíduos, apenas 5% é processado na planta de seleção para a recuperação de materiais recicláveis e comercializáveis como plásticos, papel, papelão, eletrônicos e vidro.

Esses dados, que pintam um panorama de urgência e uma ineficiência no manejo de resíduos, provêm de um exaustivo relatório elaborado pelo Observatório Espacio Encuentro.

O vereador Lucas Simoniello, uma figura proeminente nesse setor político e conhecido por gerar valiosas estatísticas sobre problemáticas locais, é o principal impulsionador deste projeto transformador.

Para compreender o contexto atual, é fundamental lembrar que em 6 de dezembro de 2021, o Conselho local concedeu uma prorrogação de sete anos ao contrato de concessão à empresa Milicic SA, operadora da coleta e disposição final dos resíduos sólidos urbanos.

Reciclagem e economia circular Reciclagem e economia circular. Foto: Fernanda Nicola

Esse contrato, que entrou em vigor em 2022, implicou a construção de um segundo módulo de 8 hectares ao sul do terreno atual, o que exigiu a expropriação de várias parcelas que eram propriedade privada ou do Estado provincial.

Planta de tratamento de lixiviados

Além disso, foram autorizadas uma série de melhorias e ampliações significativas: a construção e operação da ampliação da Planta de Tratamento de Lixiviados, a ampliação da Planta de Seleção e Classificação de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) para a fração seca e uma Planta de Classificação e Compostagem para a fração orgânica.

Foram adicionados também um Sistema de Captação e Queima de Biogás, a expansão da Planta de Aparelhos Elétricos e Eletrônicos em Desuso e um depósito de armazenamento transitório de resíduos especiais.

Apesar desses investimentos, a prorrogação concedida à concessionária expirará em apenas três anos, o que destaca a iminente necessidade de uma solução definitiva.

Atualmente, o aterro recebe os resíduos domiciliares de oito localidades, evidenciando sua importância regional.

O “Distrito Verde”: um novo horizonte para Santa Fe

A proposta de Simoniello é clara: o Executivo deve realizar estudos de viabilidade técnico-econômica para dar vida ao “Distrito Verde: Parque Ambiental Produtivo”.

Este inovador espaço estaria estrategicamente localizado à beira da Circunvalação Oeste e em frente ao atual aterro sanitário, adjacente a Las Lomas, ao noroeste da cidade de Santa Fe.

A escolha dessa localização não é arbitrária; ela responde a uma profunda análise social e urbana.

A zona de influência do futuro Parque Ambiental Produtivo abrange cinco bairros: Los Troncos, Santo Domingo, Scarafia, Cabal e Las Lomas, sendo este último lar de uma significativa comunidade Qom.

No total, mais de 2.300 famílias (de acordo com o RENABAP) residem nesses bairros, conferindo ao projeto um importante componente de inclusão social e desenvolvimento local.

Localização do Distrito Verde Localização do Distrito Verde. Crédito: Gentileza

O vereador Simoniello enfatiza que esse projeto transcende a mera gestão de resíduos: “O projeto significa constituir uma nova frente urbana, que pode trazer benefícios estruturais e para a integração dos bairros populares próximos, melhorando a acessibilidade e a infraestrutura dos mesmos, ampliando a oferta laboral para toda a cidade“.

Essa visão transformadora conta com o respaldo do senador pela Capital, Julio “Paco” Garibaldi, o que augura um sólido apoio político para sua concretização.

O mais notável dessa iniciativa é que ela não é concebida como uma simples substituição de uma infraestrutura obsoleta, mas como uma oportunidade estratégica para o crescimento e a sustentabilidade da cidade.

Para realizar os estudos de viabilidade, delinearam uma série de parâmetros a serem considerados

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