Luta mortal dos defensores ambientais em um cenário sombrio que destaca a crescente vulnerabilidade daqueles que defendem a vida no planeta, organizações da sociedade civil lançaram um alarmante aviso.
Pelo menos 84 defensores do meio ambiente foram assassinados no México desde 2016, em uma possível relação direta com seu incansável trabalho.
Essa cifra, desoladora por si só, é uma luta mortal, destacando a profunda dívida que o Estado mexicano mantém com aqueles que arriscam suas vidas para proteger os recursos naturais do país.
Uma luta mortal com vítimas e agressões constantes
O Espaço de Organizações da Sociedade Civil para a Proteção de Defensores dos Direitos Humanos e Jornalistas (Espaço OSC) revelou que, dos 84 vítimas mortais, 7 eram mulheres e 77 homens, evidenciando uma desproporção alarmante.
Além disso, a etnia dos afetados destaca a interseção de vulnerabilidades: 44 pertenciam a povos indígenas e um era afromexicano, comunidades que frequentemente estão na linha de frente contra a exploração ambiental.

No entanto, os assassinatos são apenas a ponta do iceberg. O relatório, estrategicamente publicado em 17 de julho, Dia Nacional dos Defensores do Meio Ambiente, detalha uma preocupante escalada de agressões.
À luta mortal somam-se múltiplas formas de assédio e coerção: criminalização e assédio judicial, vigilância constante, ameaças diretas, deslocamento forçado de seus lares e comunidades, e até mesmo desaparecimentos.
Essas táticas visam silenciar e desarticular os movimentos de defesa ambiental, criando um clima de medo e impunidade.
O papel insubstituível dos defensores ambientais e as ameaças crescentes
O Dia Nacional dos Defensores do Meio Ambiente, reconhecido oficialmente pelo Congresso mexicano há quatro anos, é mais do que uma simples comemoração.
É, como enfatiza a ONG, um lembrete urgente da necessidade premente de justiça frente à violência sistemática, o despojo territorial e a impunidade generalizada.
Este dia exige que se atue contra aqueles que, frequentemente em conluio com o crime organizado, impulsionam megaprojetos destrutivos e ameaçam a biodiversidade do país.
Os defensores ambientais são, essencialmente, peças fundamentais para deter a iminente crise climática e resistir ao embate de projetos que devastam os ecossistemas.
Seu trabalho é crucial para proteger os recursos naturais que sustentam a vida de milhões de pessoas e preservar as formas de vida indígenas, que historicamente coexistiram em harmonia com a natureza.
Seu trabalho adquire uma relevância crítica diante do avanço desmedido de megaprojetos extrativistas, da imposição de infraestruturas sem consulta prévia, da desflorestação descontrolada, do aproveitamento da água e da contaminação generalizada.
Todas essas atividades não apenas deterioram inexoravelmente nossos ecossistemas, mas também exacerbam as desigualdades sociais e econômicas.
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Defensores ambientais assassinados no México
A sombra do crime organizado: um vínculo perigoso
A este cenário já complexo soma-se a preocupante expansão do crime organizado em diversas regiões do país, onde exerce um controle violento sobre territórios e recursos.
Atividades ilícitas como a derrubada ilegal, a mineração clandestina, o tráfico de espécies, a apropriação indevida de terras e o despojo violento de comunidades se intensificaram, gerando um impacto devastador tanto no meio ambiente quanto na vida daqueles que o defendem.
É uma realidade inegável: o narcotráfico e outras economias criminosas estão hoje estreitamente ligadas à degradação ambiental, criando cenários de altíssimo risco para os defensores.
Essa simbiose letal entre o crime organizado e a destruição ambiental agrava a vulnerabilidade daqueles que ousam levantar a voz em defesa de seus territórios.
Marcos normativos e desafios institucionais: um longo caminho rumo à proteção efetiva
O Espaço OSC lembrou que o Estado mexicano possui marcos normativos que precisam ser implementados de forma urgente e eficaz.
Entre eles, destaca-se a Lei para a Proteção de Defensores dos Direitos Humanos e Jornalistas, que originou o Mecanismo Federal de Proteção em 2012.
Esta ferramenta é crucial para salvaguardar a integridade daqueles que estão em risco.
Em nível internacional, o México deu um passo significativo ao assinar e ratificar o Acordo de Escazú em 5 de novembro de 2020.
Este acordo regional, pioneiro globalmente, estabelece a obrigação dos Estados de proteger as pessoas defensoras do meio ambiente, garantindo seu acesso à informação, à participação pública e à justiça em questões ambientais.
No entanto, apesar desses avanços legislativos e compromissos internacionais, persistem sérios obstá



