Um ambicioso levantamento de fauna silvestre conseguiu documentar o estado de mais de 40 espécies de mamíferos da região do Chaco argentino.
Foi feito através do uso de câmeras de armadilha, uma ferramenta chave para monitorar a biodiversidade sem alterar o comportamento dos animais.
O projeto, liderado pelo Programa Patagonia do Instituto de Diversidade e Evolução Austral (IDEAus–CONICET) junto com Aves Argentinas, foi desenvolvido entre 2022 e 2023 em quatro áreas protegidas. Incluiu o Parque Nacional El Impenetrable, o Parque Nacional Copo, o Parque Nacional Chaco e o Parque Provincial Loro Hablador.
### Monitoramento sem precedentes no Chaco argentino

Trata-se do levantamento com câmeras de armadilha mais amplo e sistemático realizado até o momento nesta ecorregião. Foram instaladas 126 câmeras de armadilha em pontos estratégicos, as quais capturaram milhares de imagens que foram analisadas para identificar espécies, comportamentos e padrões de atividade.
O objetivo principal foi atualizar a informação sobre os mamíferos que habitam na região do Chaco, uma das zonas mais ameaçadas pelo avanço da fronteira agropecuária, a perda de habitat e o cambio climático.
A informação obtida permitirá melhorar as estratégias de conservação e manejo destas áreas protegidas.
### Espécies emblemáticas e dados de conservação
O levantamento confirmou a presença de espécies de alto valor de conservação como o oso hormiguero gigante, o tapir, o pecarí labiado, o yaguareté, o ocelote, o puma, o zorro de monte e o aguará guazú, entre outros.
Também foram identificadas espécies mais comuns como o tatú mulita, zorros, cuatíes e venados de las pampas.
Além destas individualizadas, as câmeras de armadilha registraram comportamentos sociais, hábitos de alimentação e deslocamentos noturnos. O que proporciona uma imagem mais completa do estado dos ecossistemas do Chaco.
### Ciência, conservação e tecnologia
Este trabalho representa um avanço chave para a ciência e a conservação da biodiversidade na Argentina. As câmeras de armadilha permitem obter dados confiáveis e a longo prazo, fundamentais para identificar ameaças, avaliar populações e priorizar ações de proteção.
Os resultados deste estudo não só enriquecem as bases científicas de conservação, mas também geram conteúdo educativo e de sensibilização para a sociedade em geral, aproximando a riqueza natural do Chaco a um público mais amplo.

O projeto contou com a colaboração da Administração de Parques Nacionais, do Ministério de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e a participação ativa de comunidades locais, pessoal técnico e guardas-parques.
Também foi incluída formação e capacitação em técnicas de monitoramento com câmeras de armadilha, fortalecendo as capacidades locais para a conservação.



