No passado dia 12 de agosto, foi apresentado oficialmente o projeto “Transitando hacia una construcción circular y descarbonizada en Chile”. Uma iniciativa que busca redefinir o modelo construtivo nacional através da economia circular, a redução de emissões e a gestão eficiente de recursos.
O projeto é financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), coordenado pelo PNUMA e executado pela Fundação Chile (FCh).
Governança colaborativa: articulação público-privada para a mudança estrutural
O projeto conta com a participação de atores-chave como os ministérios de Obras Públicas (MOP), Habitação e Urbanismo (Minvu), Desenvolvimento Social e Família (MDSF). Além de entidades como INE, INN, CORFO, SENAPRED, a Agência de Sustentabilidade e Mudança Climática, e representantes do setor financeiro e empresarial, incluindo a Câmara Chilena da Construção, ChileValora, BancoEstado, Banco Santander e Banca Ética.
“A transição de um modelo linear para uma construção circular requer o compromisso de toda a cadeia de valor”, sublinhou o Ministério do Meio Ambiente.

Objetivos estratégicos: eficiência de recursos e regeneração de ecossistemas
A ministra Maisa Rojas destacou que o projeto busca mobilizar o setor para uma gestão integral do ciclo de vida dos materiais, promovendo:
- Design que previna a geração de resíduos
- Redução do uso de recursos naturais
- Regeneração de ecossistemas urbanos e rurais
Este enfoque permitirá alinhamento da indústria com os compromissos climáticos do Chile, gerando impactos positivos no ambiental, social e econômico.
Metas concretas: redução de emissões e valorização de resíduos
Segundo a Fundação Chile, espera-se:
- Mitigar 350.000 toneladas de CO₂
- Valorizar mais de 20 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD)
- Evitar resíduos em caso de eventos sísmicos maiores
- Reduzir mais de 20 % de as emissões de GEE do país
Eixos de trabalho: enquadramento legal, financiamento, pilotos e conhecimento aberto
Um plano de quatro anos com US$ 3 milhões de investimento internacional. O projeto contempla cinco componentes-chave:
- Enquadramento legal, regulatório e infraestrutura de qualidade
- Financiamento e modelos de negócio circulares
- Implementação territorial
- Pilotos demonstrativos
- Geração e gestão do conhecimento
Serão desenvolvidos instrumentos normativos, mecanismos financeiros, plataformas de formação e ferramentas abertas, com foco em gênero e acesso equitativo.
Pilotos tecnológicos: inovação aplicada à circularidade construtiva
Os parceiros tecnológicos já avançam nos seguintes pilotos:
- CTEC: “Soluções Circulares para Infraestrutura Viária”
- CENAMAD: “Certificação para gestão sustentável e circular de florestas e madeira”
- CIPYCS: “Certificação para a cadeia produtiva de madeira regenerativa”
- InnovaCiclos: “Análise do ciclo de vida e preço social dos impactos ambientais na construção e demolição”
Enquadramento estratégico: alinhamento com compromissos climáticos e agendas nacionais
A iniciativa é sustentada em instrumentos como:
- Agenda RCD – Economia Circular na Construção 2035
- Estratégia Climática de Longo Prazo 2050
- Lei-quadro de Mudanças Climáticas, que torna vinculativas as metas setoriais
“Chile avança para uma construção regenerativa, resiliente e com baixas emissões, com uma visão integral que conecta infraestrutura, meio ambiente e bem-estar social”, destacou Juan Bello, diretor regional do PNUMA.



