Os incêndios intencionais estão gerando um cheiro de queimado, um sinal preocupante e muito familiar, que retornou ao ar em Rosario.
Após uma trégua, múltiplos focos de incêndio foram reativados simultaneamente nesta terça-feira, não apenas nas ilhas do Delta do Paraná em frente à cidade, mas também em suas próprias entradas.
As autoridades e bombeiros confirmam a pior suspeita: a grande maioria desses incêndios é intencional, reacendendo a indignação e o alarme pelas consequências ambientais e sanitárias.
Um duplo foco de incêndio com os incêndios intencionais: o Delta e a periferia urbana
O problema se desenvolve em dois cenários paralelos, mas igualmente graves. Por um lado, o monitoramento via satélite volta a mostrar áreas vermelhas sobre a região dos umidais.
Por outro lado, a negligência e o perigo aumentam com os incêndios intencionais nas margens da cidade, onde a queima ilegal de lixo ameaça a segurança viária e a saúde dos moradores.
“São intencionais, há um responsável”
Matías De Bueno, secretário de Meio Ambiente da Universidade Nacional de Rosario (UNR), foi contundente em seu diagnóstico. “Com o monitoramento que sempre realizamos, detectamos que desde o último domingo há focos muito específicos em frente a San Lorenzo, a Baigorria, e a Rosario“, declarou ao Telenoche.
A localização estratégica das chamas, próximas à ponte Rosario-Victoria, descarta qualquer possibilidade de origem natural. “É impossível que sejam espontâneos, há um responsável”, sentenciou De Bueno, apontando para a persistente prática da queima de pastagens.
Montes de lixo em chamas: o perigo na circunvalação
Enquanto as ilhas estão em chamas, com incêndios intencionais, a periferia de Rosario enfrenta seu próprio flagelo. Bombeiros Voluntários tiveram que intervir em pelo menos cinco focos às margens da Avenida Circunvalación, especialmente na área do acesso sul e no cruzamento com o arroyo Saladillo.
A fumaça densa reduziu drasticamente a visibilidade nesta via crucial, gerando um alto risco para os motoristas.
Juan José Roger, dos Bombeiros Voluntários, explicou a causa: “As pessoas utilizam esses locais como lixão“. A combinação do calor recente com a queima deliberada de resíduos residenciais cria uma bomba-relógio.
Uma moradora da zona sul confirmou a cena com indignação: “Vi pessoas jogando pneus de carros e eles pegaram fogo. Muitos vêm jogar galhos e todo tipo de lixo de suas casas”.
Da alerta à ação com os incêndios intencionais: O que vem a seguir?
A repetição destes eventos destaca a urgência de soluções estruturais. Enquanto os bombeiros combatem as chamas no terreno, o debate sobre a responsabilidade penal e a necessidade de uma legislação protetora, como a Lei dos Umidais, torna-se novamente inadiável.
A queima de lixo, por sua vez, expõe um problema de gestão de resíduos e de falta de consciência cidadã.




