O caminho do glifosato em Misiones rumo a uma produção agrícola e florestal livre de glifosato levará mais tempo do que o previsto. Através de um decreto oficializado nesta sexta-feira, o governo provincial prorrogou o prazo que permitia o uso do controverso herbicida.
A medida busca, de acordo com as autoridades, facilitar uma “transição ordenada” para o setor produtivo, mas estabelece uma condição crucial: os produtores que continuarem utilizando glifosato deverão se registrar e apresentar um plano detalhado para abandoná-lo progressivamente.
Glifosato em Misiones, uma prorrogação com condições claras
A decisão foi formalizada pelo Decreto Nº 1675, publicado no Boletim Oficial da província. Este novo arcabouço legal modifica um decreto anterior (Nº 1608/24), argumentando a necessidade de “conceder ao setor produtivo da Província de Misiones o tempo necessário para alcançar o cumprimento da adoção de métodos amigáveis ao ambiente“.
O texto destaca que o objetivo é proteger a “totalidade dos produtores missionários que atualmente utilizam glifosato”, evitando que sejam prejudicados na comercialização de seus produtos.
No entanto, essa prorrogação não é um cheque em branco. A norma introduz uma obrigação fundamental: todo produtor que continuar aplicando o herbicida “deverá implementar e contar com um registro do plano de transição para métodos mais amigáveis ao ambiente“.
O papel do Ministério do Agro e da Produção com o glifosato em Misiones
Para garantir o cumprimento dessa nova exigência, o decreto designa o Ministério do Agro e da Produção como a autoridade de aplicação. Caberá a esse órgão a tarefa de desenhar e executar o regime de verificação e controle, assegurando que os planos de transição não sejam apenas uma formalidade, mas um compromisso real e verificável por parte dos produtores.
O que acontece com as exportações?
A medida também aborda o comércio exterior. O decreto especifica que o prazo de vigência será estendido para as exportações de produtos de origem missionária.
Nesse sentido, a utilização de fitossanitários alternativos e mais sustentáveis é explicitamente permitida, em conformidade com as regulamentações e exigências dos países de destino, abrindo caminho para a adaptação do setor a mercados internacionais cada vez mais conscientes do impacto ambiental.
O contexto: um equilíbrio entre produção e ecologia
A decisão, respaldada pelo governador Hugo Passalacqua, pelo ministro do Agro e da Produção, e pelo ministro de Ecologia e Recursos Naturais Renováveis, reflete o complexo equilíbrio que a província busca manter. Por um lado, reafirma-se o objetivo a longo prazo de erradicar o uso de glifosato; por outro, reconhecem-se as realidades e os tempos do setor produtivo para se adaptarem a novas práticas que sejam tanto rentáveis quanto sustentáveis.




