Recentemente, Silvina Vaccarezza, deputada da Legislatura Bonaerense pelo bloco UCD + Cambio Federal, apresentou um projeto de Lei com o objetivo de regular os estabelecimentos dedicados à criação de cães.
Segundo a legisladora, a iniciativa tem como principal propósito a proteção dos animais, assim como a saúde humana e o meio ambiente.
O projeto de lei contempla a exigência de habilitações municipais e a supervisão de diretores técnicos veterinários.
Além disso, estabelece requisitos edilícios específicos para garantir o cumprimento das normas de bem-estar animal e respeitar as condições higiênico-sanitárias e de operação.
Em caso de descumprimento dessas disposições, seriam aplicadas sanções que vão desde uma advertência e multas (das quais 40% seriam destinadas ao município), até a suspensão da habilitação, o fechamento do criadouro ou a apreensão dos cães por meio de uma ordem judicial prévia, os quais seriam entregues à guarda de ONGs de proteção animal. Vaccarezza afirma que este projeto foi resultado do consenso com diversos atores envolvidos na matéria.
Após o conhecimento da notícia do projeto de Lei, um numeroso coletivo composto por referentes da defesa legal dos animais, advogados, institutos, acadêmicos, professores, pesquisadores e personalidades do âmbito judicial, juntamente com organizações protetoras de todo o país, pronunciou-se de maneira rápida e contundente.
Por que o coletivo animalista se opõe ao projeto de lei
Este grupo apresentou um documento formal dirigido ao Presidente da Câmara de Deputados da Província de Buenos Aires, Alexis Guerrera, no qual expressam sua defesa dos animais não humanos e seu rechaço ao projeto de Vaccarezza.
“Ninguém que verdadeiramente defenda os animais não humanos pode concordar em regular o maltrato e a exploração de um ser vivo para o benefício humano. Quem apoia a exploração desses seres inocentes, com ou sem controle, não pode reivindicar a proteção dos animais nem a luta pelo seu bem-estar”. afirmou Elba Tiburzi, representante de Alerta Galgo Argentina, para Notícias Ambientais.
Tiburzi acrescentou que “este projeto de Lei, além de conter graves erros de técnica legislativa, estabelece um precedente nefasto para a proteção animal. Isso ocorre em um momento em que muitos municípios, em direção contrária ao que propõe a legisladora, estão se manifestando contra a venda de animais na via pública e em locais comerciais, e inclusive alguns já proíbem a criação com fins comerciais”.
“O que esta legisladora está fazendo é dar carta branca ao sofrimento, ao maltrato, à crueldade e ao abuso de vidas inocentes que não têm capacidade de escolha, tratando-os como objetos e infringindo a lei penal 14346”, continuou Tiburzi.
“Além de sua desinformação, as ONGs que há anos se responsabilizam, com ordem judicial, pelos animais que os criadouros destroem. Não precisamos que seu projeto venha nos dizer o que as associações civis devem fazer”.
O coletivo considera que esta iniciativa é mais um engano que se apresenta sob a aparência de bem-estar animal, semelhante à recente ordenança de Berazategui que, embora tenha sido anunciada como uma proibição de criadouros, na prática acaba habilitando a atividade.
Por sua vez, a Dra. María de las Victoria González Silvano, professora da disciplina de Direito Animal na Universidade de Buenos Aires (UBA), definiu a situação da seguinte forma: “Regular criadouros é comparável a regular a exploração de pessoas; seu princípio e fim é o lucro.
Essas atividades nunca visam ao cuidado nem à educação de um ser que consideramos parte da família. Apoiar essa regulação é aprovar o maltrato e a crueldade. Qualquer forma de exploração de um ser sensiente deve ser proibida, jamais regulada”. Declarou para Notícias Ambientais.




