A Reserva El Potrero, em Entre Ríos, está comemorando um marco na conservação da fauna nativa nos últimos dias. Após anos de trabalho, a liberação do veado-campeiro (Mazama guazubira), um cervídeo nativo que foi declarado Monumento Natural provincial em 2018, foi concretizada.
Essa iniciativa busca reverter a extinção da espécie, que não era avistada na região há mais de uma década.
Conservação da fauna nativa e um longo caminho rumo à liberdade
O programa de repopulação do veado-campeiro foi um esforço abrangente, focado na reabilitação da fauna que sofreu as consequências do mascotismo, posse ilegal e acidentes.

Os animais resgatados passam por um processo de quarentena e cuidados veterinários antes de sua fase de adaptação em uma área de 13 hectares de mata nativa, onde recuperam as habilidades essenciais para sobreviver em seu ambiente natural.
O projeto de conservação ganhou força em 2017 com a chegada dos primeiros exemplares reprodutores: Memé e Chiví.
Os nascimentos subsequentes foram cruciais para a recuperação da população. Com o tempo, mais veados-campeiros provenientes de resgates, entregas voluntárias e colaborações com instituições como o Ecoparque de Buenos Aires foram incorporados, fortalecendo a diversidade genética da espécie.
Libertação “suave” e compromisso institucional
A libertação dos animais foi realizada pelo método de “liberação suave“, onde a porta do cercado foi aberta para que os veados saíssem por conta própria, sem estresse.
O evento contou com a presença de autoridades provinciais, destacando o compromisso da Secretaria de Meio Ambiente de Entre Ríos e outras entidades com a preservação da biodiversidade.
Esse feito na conservação de espécies nativas não só simboliza o retorno do veado-campeiro ao seu habitat histórico, mas também fortalece a identidade natural da província.
Além disso, o projeto tem um forte componente de educação ambiental, organizando oficinas e atividades para conscientizar a comunidade e as escolas sobre a importância de proteger a fauna e seus ecossistemas.

Como é o veado-campeiro
O veado-campeiro (Mazama gouazoubira ou Subulo gouazoubira) é um cervídeo de porte médio nativo da América. Habita o Paraguai, Uruguai, nordeste da Argentina, e nas regiões costeiras sul e norte do Brasil. Também é encontrado no leste da Bolívia.
Atualmente, encontra-se um pouco reduzido em seu habitat devido à pressão cinegética e à destruição de seu ambiente natural, mas ainda não é considerado em perigo de extinção.
Tanto machos quanto fêmeas atingem entre 55 e 65 cm de altura na cernelha, e até 110 cm de comprimento. Seu peso chega a 30 kg. A coloração varia de acordo com a região, mas geralmente é pardacenta a pardavermelha, com um matiz cinza que o distingue de outras espécies, sendo o maior em tamanho de seu gênero.
Ele se alimenta de brotos tenros, folhas, cogumelos e frutas; além disso, descasca o tronco das árvores para marcar seu território. Costuma viver solitário ou em pares. É marcadamente territorial, demarcando o perímetro de sua área com fezes, urina e uma secreção forte proveniente das glândulas anterorbitais, interdigitais e frontais.



