O papa Leão XIV participará de uma cúpula ambiental que reúne líderes políticos, cientistas e ativistas de todo o mundo, com um objetivo comum: combater as mudanças climáticas. Entre os convidados está Arnold Schwarzenegger, o ator e ex-governador da Califórnia, tornando-se uma referência internacional em políticas ambientais.
O evento ocorre em Castel Gandolfo, a residência de verão do pontífice, e marca o décimo aniversário da Laudato Si, a histórica encíclica do papa Francisco que apelou para deter a crise climática. Desta vez, a Igreja busca ir além: passar da reflexão para uma ação global decidida.
O papa Leão, nascido nos Estados Unidos e eleito após a morte de Francisco, reiterou que a fé também deve se expressar no cuidado da Terra. Com experiência em comunidades vulneráveis do Peru, ele conhece de perto os efeitos devastadores de inundações e fenômenos extremos agravados pelas mudanças climáticas.
A conferência intitulada Aumentar a esperança pela justiça climática focará nos compromissos urgentes que devem ser adotados antes da COP30, prevista para novembro no Brasil. O encontro busca construir pontes entre ciência, política, espiritualidade e sociedade civil para enfrentar uma crise que não reconhece fronteiras.

Políticas ambientais do Vaticano: uma fé em ação
O Vaticano intensificou suas políticas ambientais desde a publicação de Laudato Si em 2015. Sob a orientação de Francisco e agora de Leão XIV, a Igreja Católica promoveu uma agenda verde que vai além do simbólico.
Uma das medidas mais concretas é o plano para tornar a Cidade do Vaticano o primeiro Estado neutro em carbono. Foram implementados programas de eficiência energética, instalação de painéis solares e uma progressiva eletrificação de sua frota de veículos.
Paralelamente, a Igreja fortaleceu alianças com universidades e centros científicos para promover a pesquisa em energias limpas, biodiversidade e segurança alimentar. Esses esforços buscam não apenas reduzir a pegada do Vaticano, mas também servir de modelo para as 200.000 paróquias em funcionamento no mundo.
Outro eixo-chave foi a incidência em organismos internacionais. Desde o Acordo de Paris até as mais recentes cúpulas climáticas, a Santa Sé se posicionou como mediadora e promotora de consensos. A ideia central é que o cuidado da “casa comum” não pode ser separado da justiça social: proteger os mais pobres significa também proteger a biodiversidade que sustenta seus meios de vida.
O poder da comunicação: Schwarzenegger e a Igreja
Arnold Schwarzenegger tornou-se um aliado inesperado do Vaticano nessa cruzada. Conhecido por seu papel de Exterminador do Futuro e sua gestão como governador da Califórnia, o ator tem impulsionado projetos para reduzir a poluição e acelerar a transição para energias renováveis.
Durante a conferência, ele destacou que os 1,4 bilhão de católicos no mundo representam uma força única para mudar hábitos e exigir políticas sustentáveis. Para ele, a fé pode ser uma ferramenta poderosa para mobilizar comunidades inteiras em defesa do planeta.
Sua participação ao lado de líderes indígenas, ministros do Meio Ambiente e bispos reforça o caráter global e inclusivo do evento. A combinação de vozes religiosas, científicas e culturais pretende enviar uma mensagem clara: a crise climática exige colaboração e compromisso para além de ideologias ou credos.

Rumo a um novo pacto ambiental
O desafio proposto pelo papa Leão XIV é transformar a consciência em ação. Reduzir as emissões quase pela metade até 2030, conforme o Acordo de Paris, exige decisões drásticas no uso de energia e no modelo econômico.
A Igreja propõe que a mudança seja abordada não apenas como um problema ambiental, mas como uma questão de justiça. Os mais vulneráveis são os primeiros a sofrer com secas, inundações e migrações forçadas. Por isso, cuidar da criação é também cuidar da dignidade humana.
A união do Vaticano com atores globais como Schwarzenegger simboliza um novo capítulo na luta climática: ciência, política e espiritualidade em diálogo pela sobrevivência do planeta. A mensagem final é clara: a esperança existe, mas somente se for traduzida em ações coletivas imediatas.



