A Fundação sueca Right Livelihood Award reconheceu esta semana a importância da justiça climática internacional com o Prêmio Nobel Alternativo.
O prêmio foi concedido à rede Pacific Island Students Fighting Climate Change (PISFCC) e ao advogado guamês Julian Aguon por seu destacado trabalho na luta pela justiça climática.
A rede de estudantes representa as ilhas do Pacífico, territórios que enfrentam ameaças existenciais devido ao aumento do nível do mar e outros efeitos do aquecimento global.
Este reconhecimento internacional distingue líderes e organizações que trabalham por soluções urgentes para os desafios globais mais críticos.

Nobel “alternativo”: o que seus vencedores conquistaram
O PISFCC e Julian Aguon compartilham o prêmio “por levar a demanda de justiça climática à principal corte mundial”.
Segundo o comunicado oficial do Right Livelihood Award, eles conseguiram “transformar a sobrevivência em uma questão de direitos e a ação climática, em uma responsabilidade legal“.
Este prêmio ganha especial relevância após a histórica decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) emitida em julho passado.
Trata-se da opinião consultiva que confirmou que os Estados têm obrigações legais para prevenir o dano climático, fornecer compensações e proteger as gerações presentes e futuras.
Esta decisão judicial abre novos caminhos legais globalmente para exigir responsabilidade climática dos governos.

Justiça climática: o trabalho do grupo de jovens estudantes
Fundado em 2019 por 27 estudantes de direito das Ilhas Salomão, o PISFCC desenvolveu um trabalho extraordinário recolhendo testemunhos de diversas comunidades que sofrem diretamente os efeitos devastadores da mudança climática.
“Levar essas vozes de perda, resistência e demanda de justiça aos corredores do direito internacional garantiu que a opinião da CIJ fosse moldada por realidades de primeira linha”, destaca o júri do Right Livelihood Award.
Julian Aguon: o papel do estrategista legal que possibilitou a decisão da CIJ
O escritor e advogado Julian Aguon desempenhou um “papel central” para obter a opinião consultiva da CIJ.
Este guamês foi quem forneceu a estratégia legal para a ação por meio de seu escritório Blue Ocean Law, e por isso compartilha o prêmio com a rede Pacific Island Students Fighting Climate Change (PISFCC).
Além de seu trabalho em litígio climático, Aguon também lutou contra a militarização de Guam e expôs a destruição de terras ancestrais para construir bases militares dos Estados Unidos, defendendo o direito à autodeterminação de seu povo.
“Através da advocacia e da narrativa, ele se tornou uma voz líder na resistência do Pacífico e um símbolo de esperança por um futuro justo e sustentável“, destaca a decisão do prêmio.

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