Europa e América Latina diante das mudanças climáticas: fenômenos extremos, perda de biodiversidade e a urgência de ações

Os fenômenos meteorológicos extremos —desde incêndios florestais até inundações devastadoras— intensificaram-se nos últimos anos, confirmando que a Europa é o continente que mais rapidamente se aquece no planeta, segundo o relatório O meio ambiente na Europa 2025, elaborado pela Agência Europeia do Meio Ambiente (AEMA).

Paralelamente, a América Latina enfrenta uma crescente vulnerabilidade climática, com impactos que já afetam a segurança alimentar, hídrica e social de milhões de pessoas.

Europa: avanços ambientais frente a uma crise que se agrava

A AEMA adverte que a neutralidade climática depende de proteger os recursos naturais e acelerar a transição ecológica.

Embora a Europa tenha conseguido reduzir emissões, melhorar a qualidade do ar e duplicar o uso de energias renováveis desde 2005, o relatório aponta que os desafios estruturais continuam sendo profundos e urgentes.

80% da biodiversidade continental está sob pressão, os ecossistemas encontram-se fragmentados e degradados, e um terço da população vive em áreas com estresse hídrico.

“Não podemos nos permitir baixar nossas ambições em matéria de clima, meio ambiente e sustentabilidade”, advertiu Leena Ylä-Mononen, diretora executiva da AEMA.

O documento também alerta que adiar os objetivos ambientais encareceria a transição, aprofundaria as desigualdades e enfraqueceria a resiliência econômica.

A chave, segundo a Comissão Europeia, está em repensar o vínculo entre economia e natureza, entendendo a proteção ambiental como um investimento estratégico.

Na área de ambiente
A Europa sofre incêndios florestais mais intensos e mais frequentes. 

América Latina: vulnerabilidade climática e desigualdade estrutural

Secas, furacões, migrações forçadas e perda de ecossistemas marcam o presente da região.

A região já sofre os efeitos das mudanças climáticas:

  • Fenômenos extremos: secas prolongadas (Corredor Seco, Paraná Plata), inundações (Brasil 2024), ondas de calor (México 2023) e furacões mais intensos
  • Aumento do nível do mar: ameaça zonas costeiras e ilhas do Caribe com erosão, contaminação de aquíferos e deslocamentos
  • Escassez de água: afeta a produção hidrelétrica, a navegação fluvial e o acesso à água potável
  • Danos a ecossistemas chave: como a Amazônia e o recife mesoamericano, com perda de biodiversidade e branqueamento de corais
  • Migrações forçadas: mais de 580.000 pessoas deslocadas no sul do Brasil em 2024

Além disso, as temperaturas na América Latina aumentaram acima da média global, com registros históricos em 2023.

Transformação ecológica: restaurar, descarbonizar e repensar o modelo

O relatório propõe avançar em direção a uma economia circular, restaurar ecossistemas e fortalecer a justiça climática.

A AEMA propõe uma mudança transformadora que inclui:

  • Economia circular para reduzir a dependência de matérias-primas importadas
  • Descarbonização de setores chave como transporte, energia e agricultura
  • Soluções baseadas na natureza para restaurar ecossistemas degradados
  • Inovação verde e transição digital como motores de competitividade

“Os custos da inação são enormes. As mudanças climáticas são uma ameaça direta à nossa prosperidade”, sublinhou Wopke Hoekstra, comissário europeu de Clima e Crescimento Limpo.

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