Operação na Cidade de Buenos Aires: resgatam três aves exóticas vítimas de tráfico ilegal em um consultório de Almagro

A Unidade Fiscal Especializada em Matéria Ambiental (UFEMA), sob a direção do promotor Blas Matías Michienzi, realizou uma operação no bairro de Almagro, onde funcionava um consultório veterinário informal que mantinha em cativeiro ilegal três aves exóticas: dois araras e um tucano juvenil.

O procedimento foi autorizado pelo Tribunal Penal, Contravencional e de Infrações N.º 21, sob a responsabilidade da juíza Paula Virginia Núñez Gelvez, e permitiu o resgate de um Arara vermelho (Ara chloroptera), um Arara azul e amarelo (Ara ararauna) e um Tucano de Bico Verde juvenil (Ramphastos dicolorus).

Maus-tratos, estresse e deficiências nutricionais

As aves apresentavam penas opacas, sinais de desnutrição e estresse ambiental severo, segundo constatou o veterinário interveniente. Estavam incapacitadas para voar, deslocando-se apenas por saltos dentro de gaiolas reduzidas, e eram alimentadas com uma dieta inadequada para sua espécie e estágio de desenvolvimento.

A investigação foi iniciada após denúncias de vizinhos por ruídos e grasnidos persistentes provenientes de uma residência na Humahuaca ao 4300, o que motivou tarefas de campo e rastreamentos em redes sociais por parte do Corpo de Investigações Judiciais do Ministério Público Fiscal.

aves exóticas
Um novo caso de tráfico de aves exóticas na Cidade de Buenos Aires.

Coordenação interinstitucional e traslado ao Ecoparque das aves exóticas

A operação foi realizada em conjunto com a Divisão de Crimes Ambientais da Polícia da Cidade, a Direção Geral de Controle Ambiental do Governo da cidade e pessoal especializado em crimes complexos.

Os exemplares não possuíam anéis de identificação e documentação legal, o que confirmou sua origem no tráfico ilegal de fauna silvestre. Segundo estimativas da UFEMA, as três aves teriam um valor aproximado de 900.000 pesos no mercado negro.

Por ordem da promotoria, os animais e suas gaiolas foram apreendidos e transferidos para o Ecoparque da Cidade de Buenos Aires, onde receberão tratamentos de reabilitação e controle veterinário para garantir sua recuperação física e emocional.

Tráfico de aves na Argentina: causas, consequências e estratégias

O comércio ilegal de aves silvestres representa uma grave ameaça para a biodiversidade nacional, empurrando espécies como o cardeal amarelo à beira da extinção.

Esta prática é punida pela Lei 22.421 de Conservação da Fauna, e gera desequilíbrios ecológicos, riscos sanitários e perda de patrimônio natural.

Causas principais

  • Valor ornamental: procuradas por suas cores e cantos para colecionismo ou animais de estimação
  • Demanda interna e externa: comercialização em grandes cidades e exportação para Europa e Oriente Médio
  • Falta de consciência: desconhecimento do impacto ambiental e legal

Consequências

  • Alta mortalidade: até 90% morrem antes de chegar ao destino
  • Extinção de espécies: como o cardeal amarelo e outras aves nativas
  • Desequilíbrio ecológico: afeta seu papel na dispersão de sementes e controle de insetos
  • Riscos sanitários: propagação de doenças zoonóticas

Como combatê-lo

  • Denunciar: às autoridades competentes; organizações como Aves Argentinas oferecem orientação
  • Não comprar: evitar adquirir animais silvestres, pois financia o crime
  • Conscientizar: campanhas educativas e midiáticas para informar sobre o problema
  • Coordenar e fortalecer: articulação entre organismos públicos, privados e sociedade civil; políticas mais rigorosas e controle fronteiriço

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