Buenos Aires se transforma com um aplicativo de reciclagem para que catadores retirem os resíduos de cada vizinho em domicílio

Buenos Aires evolui na sua gestão de resíduos: uma startup argentina se prepara para lançar um aplicativo de reciclagem que conectará os vizinhos com catadores para coletar seus resíduos recicláveis a domicílio.

Trata-se de um sistema semelhante ao do aplicativo de viagens Uber: a diferença é que do outro lado não há um carro, mas sim um catador que poderia triplicar seus rendimentos graças a este aplicativo.

A proposta surge de Reaquila, uma startup argentina que promete mudar as regras do jogo em um país onde se enterram 50.000 toneladas de lixo por dia.

Sua aposta: digitalizar a reciclagem, formalizar o trabalho informal e dar rastreabilidade real a cada garrafa, papelão ou embalagem recuperada.

Reaquila reciclaje punto verde

Reaquila: como funciona o app de reciclagem digital

A proposta é simples mas disruptiva. Os usuários primeiro devem publicar seus materiais recicláveis na plataforma: plástico, vidro, papelão ou metal.

Em poucos minutos, quem publica deve receber confirmação no app de reciclagem de que um coletor urbano passará para buscá-los na porta de suas casas.

Assim explicou Martín Parra, CEO da Reaquila, em diálogo com iProfesional: “Contamos com uma plataforma de ‘uberização’ que permite aos usuários solicitar a coleta de suas embalagens de maneira semelhante a como funcionam serviços de delivery como Rappi ou PedidosYa”.

Este mês começa o piloto em Buenos Aires com 150 catadores. Atualmente, o aplicativo gratuito está disponível para vizinhos, comércios e empresas.

Além disso, todo o processo fica registrado no app de reciclagem, desde a retirada até a venda do material.

O serviço oferece três modalidades:

  • assinatura básica com duas coletas mensais;
  • assinatura familiar com quatro visitas;
  • opção on demand para retiradas imediatas
No momento, o custo é de $2.000 por coleta.

A outra face: inclusão financeira para catadores

Além de facilitar a reciclagem, a plataforma é chave para a inclusão financeira dos catadores, um grupo relegado com um papel essencial.

É que o app também integra uma carteira digital própria, com um cartão Mastercard associado.

Assim, os coletores recebem quase a totalidade do pagamento por cada serviço de forma eletrônica.

“Dessa forma, formalizamos e damos inclusão financeira a um setor historicamente invisibilizado”, apontou Parra a iProfesional.

Segundo estimativas da empresa, um coletor que hoje ganha cerca de $400.000 mensais poderia triplicar seus rendimentos graças a este app de reciclagem.

Nosso objetivo é que o catador ganhe mais, que não dependa do preço do material nem de subsídios, e que pela primeira vez tenha acesso a uma conta remunerada, crédito e rastreabilidade de seu trabalho”, destacou o CEO.

Os rendimentos provêm de três fontes:

  • o pagamento pela logística de coleta;
  • a venda direta do material;
  • os juros gerados na carteira.

Essas empresas utilizam o sistema para medir seu impacto ambiental e cumprir com padrões de economia circular.

Rastreabilidade para empresas e economia circular

Reaquila resolve um problema crítico do sistema de gestão de resíduos na Argentina: a falta de rastreabilidade.

É que, hoje, a maioria dos materiais que os vizinhos separam acaba enterrada.

punto verde reaquila

“A realidade é que o que se deixa nos contêineres verdes, em sua maioria, é enterrado. Por isso é tão importante que um coletor o retire diretamente, além de precisar vendê-lo para viver, isso garante que o material efetivamente seja reciclado“, sublinhou Parra a iProfesional.

A startup trabalha também com marcas como Coca-Cola, CCU, Tetra Pak, Chango Más, Alvear Supermercados e Sancor Seguros.

“Para as empresas é fundamental validar quanto realmente recuperam. Até agora se manejavam com declarações juradas e consultorias, sem tecnologia. Nós oferecemos rastreabilidade de ponta a ponta, baseada em dados e blockchain“, explicou Parra.

Reaquila: o app de reciclagem de Bahía Blanca para o mundo

A história da Reaquila começou em 2020 em Bahía Blanca com um investimento de u$s 10.000. Hoje, a empresa é mais que apenas um app de reciclagem.

Os fundadores —Martín Parra, Facundo Roque, Maximiliano Fuchs e Maximiliano Rodríguez— instalaram um ponto limpo onde os vizinhos trocavam resíduos por descontos.

Em 2022 receberam u$s53.000 do Grupo Sancor Seguros para escalar seu software.

Desde então lançaram sua plataforma de benefícios, coleta domiciliar, um marketplace de materiais reciclados e o app de uberização.

A empresa emprega dez pessoas diretamente e colabora com mais de 150 cooperativas, o que representa cerca de 5.000 pessoas em toda a cadeia.

Atualmente, recupera 7.200 toneladas de materiais por ano.

O modelo de negócio se apoia em comissões de assinaturas, serviços fintech da carteira e venda de dados de rastreabilidade para empresas.

Reaquila projeta faturar mais de 1,5 milhões de dólares em 2025 e tem operações no Chile, Uruguai e Espanha.

“Queremos digitalizar a coleta em toda a América Latina e criar um mercado global de materiais reciclados. Que desde a Argentina se possa rastrear uma embalagem recuperada até o México ou Espanha”, concluiu Parra.

Na Argentina se geram mais de 50.000 toneladas de resíduos diários e quase tudo acaba enterrado.

Diante disso, Reaquila propõe revolucionar o sistema quebrado com tecnologia, inclusão e economia circular.

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