A baleia franca do Atlântico Norte, um dos cetáceos mais ameaçados do planeta, mostra uma tendência positiva de recuperação populacional, segundo o último relatório do Consórcio de Baleia Franca do Atlântico Norte.
Em 2025, foram contabilizados 384 exemplares, oito a mais que no ano anterior, consolidando quatro anos de crescimento lento, mas sustentado.
Da caça comercial ao monitoramento científico
Historicamente, esta espécie foi intensamente caçada, o que a levou à beira da extinção. Embora hoje esteja protegida por leis federais nos EUA, ainda enfrenta ameaças graves como:
- Colisões com embarcações
- Emaranhamento em redes de pesca
- Deslocamentos forçados pelo aquecimento oceânico
Reprodução e saúde: chaves para a recuperação
Segundo Philip Hamilton, pesquisador do Centro Anderson Cabot para a Vida Oceânica, o aumento populacional se deve em parte a novas políticas de proteção no Canadá, especialmente no golfo de São Lourenço.
Este ano, foram registrados 11 nascimentos, incluindo quatro fêmeas de primeira viagem e mães com intervalos reprodutivos mais curtos, o que indica uma melhoria na saúde geral da espécie.
“Um crescimento modesto sustentado pode fazer a diferença”, afirmou Hamilton. “A chave é mantê-lo”.

Otimismo cauteloso: menos mortes e lesões
A pesquisadora Heather Pettis, presidente do Consórcio, destacou que não foram detectadas mortes nem lesões graves durante o último ano, o que reforça o otimismo moderado dos cientistas.
“Esta população pode mudar rapidamente. Mas os dados atuais nos permitem olhar para o futuro com esperança”, afirmou Pettis.
Migrações e habitat: uma viagem de mais de 1600 quilômetros
As baleias francas migram anualmente desde suas zonas de reprodução na Flórida e Geórgia até suas áreas de alimentação na Nova Inglaterra e Canadá.
Este percurso se tornou mais arriscado devido a desvios fora de zonas protegidas, em busca de alimento.
Características físicas e comportamento da baleia franca do Atlântico Norte
- Tamanho: entre 12 e 16,8 metros de comprimento, até 70 toneladas de peso
- Coloração: corpo escuro com manchas brancas no ventre
- Calosidades: marcas ásperas na cabeça, únicas em cada indivíduo
- Alimentação: filtram plâncton com suas barbas, nadando com a boca aberta
- Comportamento social: saltos, golpes com nadadeiras e vocalizações de baixa frequência
Habitat costeiro e ameaças persistentes
- Preferência por águas próximas a baías e penínsulas
- Principais riscos: colisões, redes de pesca, escassez de alimento e lesões
Embora os avanços sejam encorajadores, os especialistas insistem que são necessárias medidas mais rigorosas para garantir a sobrevivência a longo prazo desta espécie emblemática. A saúde reprodutiva, o monitoramento constante e a gestão de rotas marítimas são fundamentais para consolidar esta recuperação.



