A normativa cria um plano de manejo para controlar espécies exóticas na Lagoa de San Vicente, como o lírio amarelo, e substituí-las progressivamente por flora nativa na Reserva Natural.
O Conselho Deliberativo de San Vicente deu um passo decisivo para a proteção de seu ecossistema local ao aprovar por unanimidade uma nova ordenança destinada a conter o avanço das plantas invasoras na Reserva Natural Lagoa do Olho.
Esta legislação estabelece um quadro formal para o controle, a prevenção e a erradicação de espécies exóticas que atualmente ameaçam a biodiversidade do espelho d’água e as áreas públicas adjacentes.
A normativa, que foi impulsionada pelo vereador Gastón Lodigiani (Frente de Todos), instrui o Departamento Executivo municipal a desenhar e implementar um “Plano de Manejo de Espécies Exóticas Invasoras” (PMEEI).
Como parte central desta estratégia, deverá ser elaborada uma “Guia Específica para o Controle de Espécies Invasoras na Reserva Lagoa do Olho”, que funcionará como o protocolo técnico para as intervenções no terreno.
A necessidade desta medida se fundamenta no grave risco que estas espécies representam. Espécies como a acácia, o ligustro e, de maneira particularmente problemática no pântano, o lírio amarelo, competem de forma agressiva com a flora autóctone. Ao deslocá-las, alteram significativamente o equilíbrio ecológico da reserva.
O enfoque da ordenança de San Vicente não se limita à simples extração das plantas invasoras. O plano promove uma “substituição progressiva“, o que implica que as espécies exóticas retiradas deverão ser substituídas por exemplares nativos, como o ceibo e o salso chorão, com o objetivo de restaurar a paisagem original da lagoa.
Para complementar as ações de manejo, a legislação instaura uma proibição explícita sobre a plantação de novas espécies exóticas invasoras na Lagoa de San Vicente, tanto dentro da reserva como em outros espaços públicos do distrito. De forma paralela, o município assumirá a responsabilidade de desenvolver campanhas de conscientização cidadã, buscando educar os vizinhos sobre o impacto negativo destas plantas e a importância de proteger a flora nativa.
Os fundamentos do projeto aprovado lembram que as espécies exóticas invasoras são reconhecidas globalmente como uma das ameaças mais sérias para a conservação da biodiversidade. Sua capacidade de proliferação descontrolada pode levar à alteração dos ciclos hídricos, modificar a composição dos solos e transformar radicalmente os ecossistemas.
No caso específico da Lagoa de San Vicente, o lírio amarelo foi identificado como um agente crítico. Esta planta aquática tem a capacidade de formar “tapetes” ou camadas densas sobre a superfície da água.
Esses mantos impedem a entrada da luz solar e diminuem a oxigenação do corpo de água da Lagoa de San Vicente, afetando diretamente toda a vida aquática que depende desse equilíbrio.




