Em plena temporada de primavera, marcada pelo aumento de consultas médicas por alergias, o Conselho Deliberativo de La Plata discute um projeto de lei que propõe a proibição de plantar plátanos (Platanus x acerifolia) em toda a cidade.
A iniciativa, impulsionada pela vereadora de PRO-Juntos por el Cambio (PRO-JxC), Lucía Barbier, propõe uma mudança estrutural na política de espécies urbanas e uma transição progressiva para alternativas mais saudáveis e sustentáveis.
Queixas dos moradores e evidências sanitárias
O projeto surge em resposta às reiteradas denúncias de moradores e profissionais de saúde sobre os efeitos do pólen de plátano em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas.
“Durante décadas o plátano fez parte da paisagem urbana de La Plata, mas hoje as evidências técnicas e sanitárias mostram que sua presença massiva gera problemas concretos que devemos abordar com responsabilidade”, afirmou Barbier em declarações ao portal 0221.
Impacto do pólen na saúde pública
O pólen do plátano contém proteínas altamente alergênicas —Pla a 1, Pla a 2 e Pla a 3— que podem desencadear:
- Rinite e congestão nasal persistente.
- Conjuntivite, lacrimejamento e vermelhidão ocular.
- Crises asmáticas e sensação de garganta seca ou irritada.
Este pólen é extremamente leve e pode viajar até 30 quilômetros, afetando até mesmo pessoas que não vivem perto de avenidas arborizadas. Além disso, apresenta reatividade cruzada com outros pólens comuns, intensificando os sintomas em quem já tem histórico alérgico.

Danos na infraestrutura urbana de plantar plátanos
Além dos problemas de saúde, a vereadora Barbier destacou os prejuízos que as raízes dos plátanos geram na infraestrutura urbana:
- Rompimento de calçadas.
- Danos em tubulações.
- Afeição do mobiliário urbano.
Esses impactos implicam altos custos de manutenção e riscos para a segurança dos moradores.
Plano de substituição progressiva
A iniciativa autoriza o Departamento Executivo a elaborar um plano de substituição que priorize os exemplares localizados em:
- Hospitais.
- Asilos.
- Escolas e creches.
O plano incluirá uma audiência pública para agregar critérios de especialistas em arborização, saúde pública e representantes comunitários.
Alternativas nativas e resilientes
O projeto promove o plantio de espécies nativas como:
- Jacarandá.
- Ipê.
- Ceibo.
- Timbó.
- Salgueiro criollo.
Essas espécies apresentam melhor adaptação ao clima local, reduzem os riscos associados ao pólen, diminuem os danos estruturais e fortalecem a resiliência da arborização urbana frente a eventos climáticos extremos.
Transparência e controle cidadão
Para garantir o acompanhamento do plano, a lei propõe criar um Cadastro Público Digital de Arborização, onde será registrada a localização, estado e cronograma de substituição dos plátanos.
Esta ferramenta permitirá que moradores e autoridades verifiquem o cumprimento dos objetivos e fomentem a participação cidadã.
O debate sobre a proibição dos plátanos em La Plata reflete a necessidade de repensar a arborização urbana a partir de uma perspectiva sanitária, ambiental e social. A transição para espécies nativas não busca apenas reduzir alergias e danos estruturais, mas também fortalecer a biodiversidade e o equilíbrio ecológico da cidade.



