O Parque Nacional Nahuel Huapi reforça o controle ambiental e avança na remoção de infraestruturas náuticas ilegais

O Parque Nacional Nahuel Huapi intensificou as ações para identificar e remover instalações náuticas não autorizadas. A medida faz parte do cumprimento do regulamento que regula piers, marinas, ancoradouros e outras estruturas em corpos de água protegidos.

Os trabalhos são desenvolvidos de forma progressiva em setores onde foi detectada a presença de instalações antigas, em alguns casos abandonadas e sem documentação. A administração do Parque destacou que essas intervenções buscam ordenar o uso público e reduzir pressões ambientais sobre os ecossistemas costeiros.

Em recentes operações, as equipes técnicas e os guardas-parque percorreram diversas zonas do lago e rios associados, identificando estruturas sem permissão que representavam riscos tanto para a biodiversidade quanto para a navegação recreativa.

O parque Nahuel Huapi reforça o controle ambiental e avança na remoção de infraestruturas náuticas ilegais. Foto: Diário Andino.
O parque Nahuel Huapi reforça o controle ambiental e avança na remoção de infraestruturas náuticas ilegais. Foto: Diário Andino.

Retirada de pilares ilegais na zona do rio Ñirihuau

Uma das intervenções principais ocorreu na costa próxima ao rio Ñirihuau. Neste setor, os guardas-parque encontraram quatro pilares de cimento e ferro instalados sem autorização. As peças, que estavam firmemente fixadas ao substrato, foram retiradas mediante um procedimento especializado.

O desmantelamento exigiu ferramentas adequadas e a participação de pessoal capacitado, devido ao peso e à antiguidade da estrutura. Os pilares haviam sido colocados sem avaliação de impacto ambiental nem registro oficial.

Em paralelo, iniciou-se uma investigação para determinar a origem de um barco do tipo “dragão”, de aproximadamente 12 metros, localizado na mesma faixa costeira. A embarcação carece de documentação e não se tem informação de seu proprietário.

Remoção de ancoradouros irregulares no braço Campanário

Outra operação significativa foi realizada no braço Campanário. Lá foram realizadas tarefas para retirar ancoradouros irregulares, com o apoio de um mergulhador local que forneceu equipamento e experiência técnica.

As estruturas, na maioria instaladas com materiais pesados e de forma dispersa, dificultavam a circulação, afetavam os habitats subaquáticos e se acumulavam sem controle há anos. Sua extração faz parte de um plano mais amplo que prevê atuar em diferentes setores do lago.

A administração do Parque explicou que a presença desse tipo de amarradouros sem permissão aumentou com o tempo, o que gerou um cenário de ocupação desordenada do espaço lacustre.

O Parque Nacional Nahuel Huapi fechou suas trilhas turísticas devido à intensa queda de neve. Foto: Parque Nacional Nahuel Huapi.
O Parque Nacional Nahuel Huapi reforça o controle ambiental. Foto: Parque Nacional Nahuel Huapi.

Marco normativo e papel dos Parques Nacionais

O regulamento da Administração de Parques Nacionais exige que toda infraestrutura náutica conte com autorização prévia. Esta normativa inclui piers, rampas, ancoradouros e qualquer tipo de intervenção em áreas públicas ou em corpos de água do sistema nacional.

Além disso, estabelece a obrigatoriedade de realizar avaliações de impacto ambiental, especialmente em zonas onde se conservam ecossistemas sensíveis. Seu descumprimento constitui uma infração que permite a retirada imediata das estruturas não autorizadas.

As medidas adotadas pelo Parque Nahuel Huapi se enquadram nos critérios nacionais de conservação e nos compromissos internacionais de proteção de áreas úmidas, florestas e corpos de água patagônicos.

Impactos ambientais das estruturas ilegais

As instalações irregulares geram múltiplos impactos negativos sobre os ambientes costeiros e aquáticos. Muitos desses efeitos passam despercebidos para os visitantes, mas são relevantes para a estabilidade ecológica da área protegida.

As bases de cimento modificam o leito lacustre, compactam o substrato e alteram a dinâmica natural da água. Em zonas rasas, esses elementos podem destruir plantas nativas e deslocar espécies bentônicas essenciais para o equilíbrio biológico.

Os ancoradouros artificiais, especialmente aqueles construídos sem critérios técnicos, liberam materiais degradados e, em temporadas de ventos fortes, podem se soltar ou deslocar, afetando a fauna subaquática. Além disso, costumam acumular resíduos que se aderem aos restos de cordas, metais e blocos.

As embarcações abandonadas também representam riscos por possíveis vazamentos de combustíveis, tintas ou lubrificantes, o que introduz contaminantes persistentes em um ecossistema que depende de águas limpas e com baixo nível de alteração humana.

O majestoso lago Nahuel Huapi. (Foto: Bariloche Turismo).

Benefícios ambientais e sociais da remoção

A retirada de estruturas ilegais traz benefícios diretos para a conservação do Parque. A restauração das costas permite que as espécies aquáticas recuperem áreas de alimentação e reprodução.

A limpeza do leito lacustre reduz riscos para navegantes, facilita a gestão do uso recreativo e melhora a qualidade paisagística do entorno. Também contribui para proteger a biodiversidade subaquática, que sustenta parte da cadeia trófica do Nahuel Huapi.

Em maior escala, essas ações fortalecem a participação comunitária e fomentam uma cultura de uso responsável do espaço público. O ordenamento do território é chave para que as atividades náuticas se desenvolvam de maneira segura, regulada e com um impacto mínimo sobre o ambiente.

Uma estratégia a longo prazo

O Parque Nacional Nahuel Huapi prevê continuar com inspeções e operações periódicas. O aumento da atividade recreativa e turística requer reforçar os processos de controle e atualização de permissões.

A administração busca consolidar um sistema de gestão que combine fiscalização, restauração ecológica e educação ambiental. O objetivo é manter a integridade da paisagem lacustre e garantir que as próximas gerações possam desfrutar de águas limpas e costas livres de ocupações indevidas.

A articulação com mergulhadores, técnicos e especialistas locais permitirá ampliar as áreas de intervenção, avaliar novas zonas afetadas e avançar na remoção de estruturas que há anos impactam o ecossistema sem supervisão.

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