A Prefeitura de Luján de Cuyo, em Mendoza, autorizou a emissão de um título verde por até $1.600 milhões para financiar um parque solar que abastecerá de energia o Parque Cívico Municipal.
O prefeito Esteban Allasino assinou o decreto que permitirá construir esta infraestrutura renovável sobre o estacionamento do complexo.
O projeto busca alcançar a autossustentabilidade energética na dependência municipal de maior consumo elétrico.
Segundo estudos técnicos, o investimento será recuperado em apenas quatro anos graças à economia nas contas de luz.

Título verde em energia solar: um investimento que se paga sozinho
A Secretaria de Higiene Urbana e a Direção de Eletromecânica do município realizaram análises exaustivas que justificam a operação.
Os dados revelaram que o sistema de painéis solares terá uma vida útil de 25 anos.
A obra consistirá na cobertura do estacionamento mediante a instalação de placas de células fotoelétricas.
Esta infraestrutura gerará energia limpa e reduzirá significativamente os custos operacionais do município.
O decreto indica que “a Direção de Eletromecânica realizou estudos de consumos elétricos nas diferentes dependências Municipais devido aos elevados custos de faturamento”.
A análise de simulação energética demonstrou a viabilidade econômica do parque fotovoltaico.
Os detalhes do financiamento verde
Luján de Cuyo utilizará o mercado de capitais local com o apoio do Banco Supervielle como agente financeiro.
Os títulos de dívida se alinharão aos padrões de Títulos Verdes, Sociais e Sustentáveis (SVS).
As características principais da emissão incluem:
- Montante total: até $1.600.000.000
- Prazo de vencimento: até 24 meses
- Garantia: recursos da Coparticipação Municipal
- Certificação: cumprimento de guias BYMA (Bolsas e Mercados Argentinos)
A taxa de juros será determinada conforme a taxa para depósitos a prazo fixo de mais de $1.000.000.
O mecanismo de colocação será mediante oferta pública através de mercados autorizados.
O documento oficial indica que “a seleção de instrumentos que melhor satisfaçam as necessidades da Província permitirá contar com uma rápida reação frente às oportunidades do mercado”.

Aval legislativo e serviços complementares
O Honorable Concejo Deliberante autorizou previamente esta operação mediante a Ordenança N° 14.830-2024, promulgada por Decreto Municipal N° 3190/2024.
A norma permite especificamente a emissão de Títulos Verdes para esta obra.
O artigo 25 da ordenança estabelece: “Autorize-se ao Departamento Executivo a emissão de Títulos Verdes por um montante de até PESOS UM BILHÃO E SEISCENTOS MILHÕES ($1.600.000.000)”.
A contratação inclui assessoria jurídica especializada por u$s 12.000 mais IVA. Também contempla serviços de classificação de crédito e uma “segunda opinião” por u$s 25.000 mais IVA.
Estes serviços garantirão que a emissão qualifique estritamente como um projeto de impacto ambiental positivo.
O Banco Supervielle cobrará uma comissão de 0,15% sobre o montante efetivamente colocado.
Luján de Cuyo, um referente provincial em energias limpas
O Parque Cívico representa atualmente a dependência com maior consumo elétrico do município.
Por isso, esta iniciativa posiciona Luján de Cuyo como referente em energias renováveis dentro de Mendoza.
A comuna não busca apenas aliviar os cofres públicos diante dos aumentos tarifários. Também pretende demonstrar que a transição energética é possível a nível municipal com instrumentos financeiros inovadores.
O projeto marca um precedente no uso de títulos verdes para infraestrutura de energia solar em governos locais argentinos.
Agora, a experiência poderia ser replicada em outros municípios do país que busquem soluções sustentáveis.



