O 1 de janeiro de 2026 marcou um ponto de inflexão na agenda verde da União Europeia (UE). Nesse dia entram em vigor várias normativas que buscam redefinir como se produz, se importa e se regula no continente.
Entre elas destacam-se a tarifa de carbono (CBAM), novas regras sobre substâncias químicas, ajustes em contratação pública e um regulamento de segurança de produtos, confirmando a grande aposta de Bruxelas pela transição climática.
A tarifa de carbono (CBAM)
O Mecanismo de Ajuste na Fronteira por Carbono (CBAM) entra em sua fase definitiva após anos de preparação. A partir de 2026, importar determinados bens com elevada pegada de carbono terá um custo econômico direto associado às emissões de CO₂ geradas durante sua produção.
Setores afetados
O sistema impactará principalmente em indústrias estratégicas e altamente emissoras:
- Aço e ferro
- Cimento
- Alumínio
- Fertilizantes
- Hidrogênio
- Eletricidade
As empresas que introduzirem esses produtos no mercado comunitário deverão adquirir certificados específicos que reflitam o volume de emissões incorporadas. O preço estará vinculado ao mercado europeu de direitos de emissão (EU ETS), que já regula grande parte da indústria dentro da UE.
Da transição à aplicação
Entre 2023 e 2025, as empresas estavam apenas obrigadas a declarar as emissões associadas às suas importações, sem pagar por elas. Esse período serviu para coletar dados e ajustar procedimentos. A partir de 2026, informar já não será suficiente: será preciso pagar.
Objetivos de Bruxelas
- Evitar a fuga de carbono, ou seja, que empresas transfiram sua produção para países com normas ambientais mais brandas.
- Proteger os produtores europeus, submetidos a regras mais rígidas, frente à concorrência desvantajosa de terceiros países.
Críticas e ajustes
O desenho inicial do CBAM gerou preocupação em parte do tecido empresarial. Para reduzir tensões, a UE acordou em junho de 2025 simplificar o mecanismo, isentando 90% das empresas e concentrando a carga nos grandes importadores.
Ainda assim, setores como o alumínio alertaram que o impacto poderia ser muito negativo, pedindo até mesmo uma paralisação temporária do sistema até revisar parâmetros específicos.

Outras normativas chave a partir de 2026
Plataforma comum de dados sobre substâncias químicas
Cria-se um arquivo europeu centralizado para melhorar a transparência e coordenação entre autoridades, empresas e cidadania.
Este instrumento busca reforçar a gestão de riscos associados a produtos químicos, proteger a saúde pública e o meio ambiente, e oferecer maior segurança jurídica à indústria.
Contratação pública e concessões
Serão atualizados os limiares econômicos que determinam quando os contratos devem ser submetidos a procedimentos europeus. Esses limites, revisados periodicamente, respondem à evolução econômica e aos compromissos internacionais da UE.
Regulamento sobre a segurança dos brinquedos
O novo regulamento entrará em vigor em 1 de janeiro de 2026, embora sua aplicação obrigatória seja adiada até agosto de 2030. Este prazo busca dar tempo ao setor para se adaptar a requisitos mais rigorosos, especialmente em relação a substâncias químicas perigosas.
A entrada em vigor dessas normativas marca o início de uma nova fase da agenda verde europeia. O CBAM e as regras complementares sobre químicos, contratação e segurança de produtos refletem a vontade de Bruxelas de avançar para um modelo econômico mais sustentável, embora não isento de tensões com setores industriais que temem por sua competitividade.



