A incrível invenção que desafia a física e pode acabar com o plástico: criam um biomaterial com quitosana que ganha força ao ser molhado

Um grupo de pesquisadores surpreende com um novo biomaterial de quitosana que, em vez de enfraquecer com a água, aumenta sua resistência em até 50%.

A descoberta, realizada por especialistas do Institute for Bioengineering of Catalonia (IBEC), rompe assim com um dos princípios mais estabelecidos da engenharia de materiais.

Além disso, abre um caminho concreto para substituir o uso de plásticos convencionais por opções biodegradáveis.

O biomaterial combina quitosana, um polímero natural derivado da quitina presente em carapaças de crustáceos e resíduos fúngicos, com íons de níquel incorporados de forma controlada.

Ao se hidratar, a resistência mecânica supera a de plásticos comuns de uso cotidiano.

Um grupo de pesquisadores surpreende com um novo biomaterial de quitosana que, em vez de enfraquecer com a água, aumenta sua resistência em até 50%. (IBEC)
Um grupo de pesquisadores surpreende com um novo biomaterial de quitosana que, em vez de enfraquecer com a água, aumenta sua resistência em até 50%. (IBEC)

Como funciona o biomaterial feito com quitosana

A equipe tomou como referência a cutícula de artrópodes e o papel de certos metais em seu comportamento frente à água. Ao integrar níquel na matriz da quitosana, gera-se uma rede dinâmica de ligações fracas e reversíveis.

Com a presença de água, os íons metálicos adquirem mobilidade molecular. Essa micro-reorganização permite redistribuir tensões, absorver impactos e evitar fraturas frágeis.

Assim, o material não resiste ao ambiente: interage com ele.

O resultado é, nas palavras da própria equipe do IBEC, “macio em escala molecular, forte em escala macroscópica”. Esta lógica, muito distante do plástico rígido e inerte, revela-se surpreendentemente eficaz.

Uma produção sem resíduos e suas aplicações concretas

O processo de fabricação também incorpora um esquema de resíduo zero. Durante a primeira imersão em água, o níquel que não faz parte da estrutura é liberado, recuperado integralmente e reutilizado no próximo ciclo produtivo.

Um grupo de pesquisadores surpreende com um novo biomaterial de quitosana que, em vez de enfraquecer com a água, aumenta sua resistência em até 50%. (IBEC)
Um grupo de pesquisadores surpreende com um novo biomaterial de quitosana que, em vez de enfraquecer com a água, aumenta sua resistência em até 50%. (IBEC)

O biomaterial quitosana já demonstrou sua capacidade para formar lâminas, recipientes estanques e peças de grande tamanho. A equipe identificou setores concretos onde pode substituir o plástico:

  • Agricultura: embalagens e coberturas expostas a umidade constante.
  • Embalagens: alternativa biodegradável a embalagens plásticas de uso único.
  • Pesca: utensílios e contêineres que operam em contato direto com a água.
  • Armazenamento temporário: recipientes de uso curto com degradação controlada.

Além disso, a matéria-prima do biomaterial de quitosana não depende de cadeias de suprimento globais. É que este pode ser obtido de resíduos orgânicos locais de todo tipo.

Isso inclui subprodutos agrícolas, restos alimentares urbanos ou biomassa fúngica.

Embora o estudo tenha se concentrado nas aplicações industriais deste biomaterial, tanto a quitosana quanto o níquel contam com usos aprovados em contextos médicos específicos.

A equipe do IBEC não descarta futuras aplicações em revestimentos biomédicos resistentes à umidade, sempre sob avaliações rigorosas.

O níquel foi a primeira peça que se encaixou, mas a equipe aponta que outros metais poderiam oferecer propriedades similares.

O relevante, segundo os pesquisadores, não é apenas o biomaterial de quitosana em si, mas a mudança de enfoque: projetar materiais que interajam com seu ambiente em vez de se isolarem dele.

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