O Centro de Resgate da Fundação Mundo Marino confirmou a reinserção de dois juvenis de lobo-marinho-de-dois-pelos (Arctocephalus australis) na costa de San Clemente del Tuyú.
Um deles foi encontrado com uma profunda ferida no pescoço, compatível com a pressão de uma cinta plástica ou resto de rede, enquanto o outro chegou com um quadro leve de desidratação.
O primeiro animal foi encontrado em 25 de janeiro em Villa Gesell por integrantes da organização Rescate Verdemar, que notificaram imediatamente a Fundação. A lesão circunferencial na região cervical evidenciava o impacto de resíduos marinhos rígidos, que ao ficarem presos no corpo geram fricção constante e podem provocar infecções, amputações ou até a morte.
Tratamento veterinário
Durante quase um mês, o lobo-marinho permaneceu sob cuidados intensivos:
- Curativos periódicos com antissépticos e pomadas antibióticas e anti-inflamatórias.
- Analgésicos para o manejo da dor.
- Hidratação controlada e desparasitação.
- Reforço vitamínico-mineral e monitoramento clínico mediante análises sanguíneas.
A evolução foi favorável: recuperou condição corporal, manteve boa atitude e alimentação autônoma, e a ferida cicatrizou completamente. Uma vez estabilizado, recebeu alta médico-veterinária.
O segundo exemplar, resgatado em 4 de fevereiro em Santa Teresita, apresentava desidratação leve. Após hidratação oral, desparasitação e controles clínicos, alcançou peso ideal e condição corporal adequada, o que permitiu sua reinserção junto ao primeiro.
O retorno ao mar
Ambos os animais foram liberados em 20 de fevereiro na costa de San Clemente del Tuyú, após verificar-se suas condições físicas e comportamentais ótimas para o retorno ao meio natural.

Segundo o biólogo Sergio Rodríguez Heredia, responsável pelo Centro de Resgate, todos os anos são atendidos casos associados a resíduos plásticos no entorno costeiro. Cintas, redes e outros materiais não degradáveis se tornam armadilhas para a fauna marinha, gerando lesões progressivas e colocando em risco sua sobrevivência.
A espécie: lobo-marinho-de-dois-pelos
- Pertence à família dos otáridos, diferenciando-se das focas por possuir pavilhão auricular e utilizar suas nadadeiras posteriores para a locomoção.
- Sua distribuição abrange desde a Ilha de Marco (Uruguai) até a Ilha Maiorca (Peru), com grandes colônias nas ilhas uruguaias do Rio da Prata.
- O nome provém de suas duas camadas de pelo: uma interna impermeável e outra externa que confere cor.
- Os machos alcançam até 2 metros de comprimento e 150 kg, enquanto as fêmeas chegam a 1,40 metros e 60 kg.
- Sua dieta inclui camarões, lulas e peixes.
O caso desses dois lobos-marinhos evidencia a importância dos programas de resgate e reabilitação, assim como a necessidade de reduzir a poluição plástica nos mares. Cada reinserção bem-sucedida não só devolve um animal ao seu habitat, mas também reforça a consciência sobre a fragilidade dos ecossistemas marinhos e a urgência de protegê-los.



