O Fórum Regional em Defesa do Rio da Prata denunciou que continua o desmatamento em cerca de 150 hectares na costa de Berazategui, onde avança o projeto denominado Distrito Eco Urbano Norte. O terreno está localizado entre a rua Varela, a Planta de Pré-tratamento de Líquidos Cloacais, a rodovia e o Rio da Prata.
Segundo a organização, nas últimas semanas intensificaram-se os trabalhos de movimentação de solo, incluindo abertura de ruas, escavação de pedreiras, aterro do terreno e desmatamento em uma área que descrevem como um rico ecossistema costeiro composto por áreas úmidas e setores de floresta nativa.
Questionamentos legais e ambientais
O Fórum lembrou que a ordem municipal 6552/24, que autoriza o desenvolvimento do projeto, “não está aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente provincial”. Por isso, as entidades ambientalistas locais apresentaram uma demanda à Suprema Corte de Justiça de Buenos Aires solicitando a inconstitucionalidade da normativa.
Em seu comunicado, apontaram que atualmente haveria “uma dezena de máquinas pesadas” trabalhando sobre a planície de inundação, realizando escavações, aterros e compactação de solo em uma zona considerada área úmida. “Esse ecossistema está perdendo suas características naturais e será impossível retorná-lo ao seu estado anterior, porque a área úmida desaparece sob toneladas de terra”, afirmaram.
Impacto sobre a floresta nativa
As denúncias também apontam para a afetação de setores de floresta nativa protegidos pela Lei Provincial N°14.888, nas categorias amarela e vermelha. Imagens de drones teriam constatado a abertura de caminhos e o início do desmatamento em áreas com presença de vegetação autóctone.

Falta de informação pública
O Fórum questionou a ausência de sinalização informativa sobre a obra, a falta de consulta pública obrigatória e a escassa transparência em torno da titularidade e autorização dos trabalhos. Segundo indicaram, essa modalidade se repete em outros desenvolvimentos imobiliários da região.
“Realizamos as denúncias correspondentes à Prefeitura e ao Ministério do Meio Ambiente da Província, embora continuemos depositando todas as nossas esperanças na mobilização popular”, concluíram.
Importância de frear o desmatamento
O desmatamento e a derrubada têm consequências graves:
- Ação climática: as florestas são sumidouros naturais de carbono; derrubá-las libera CO₂ e acelera o aquecimento global.
- Biodiversidade e saúde: destrói habitats de flora e fauna e aumenta o risco de transmissão de patógenos.
- Prevenção de catástrofes: a perda de cobertura vegetal provoca erosão, secas e inundações.
- Sustentabilidade e vida: garante meios de subsistência para comunidades locais e segurança alimentar.
Na Argentina, a Lei de Florestas (26.331) regula a proteção de ecossistemas nativos, estabelecendo categorias de conservação e limitando o desmatamento em áreas críticas.
O conflito em Berazategui reflete a tensão entre o avanço de projetos urbanísticos e a necessidade de preservar ecossistemas costeiros estratégicos. A denúncia do Fórum Regional destaca que a defesa de áreas úmidas e florestas nativas é essencial para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e assegurar a qualidade de vida das comunidades.



